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Arquivo da tag: Feminismo

Mulheres são ensinadas a cuidar

O que esperar de uma sociedade onde a mulher é ensinada a amar sempre, desde criança e o homem não? Pois é, desde que somos crianças a gente cuida da boneca, cuida da casinha na brincadeira, cuida do irmão mais novo e vê mulheres nesse papel de quem cuida. A gente é ensinada a se doar pelos outros e amar incondicionalmente, principalmente se esse outro for homem.

E os meninos? Os meninos não cuidam, eles nem ao menos se cuidam (até porque sempre tem uma mulher que cuide), no máximo eles protegem. O irmão que protege a irmã de outros caras, o namorado que protege a namorada acompanhando-a até em casa, o príncipe que protege a princesa da bruxa ou do dragão… Ué, mas não é a mesma coisa? Não. A mulher que protege ela se doa e, muitas vezes, se anula. Os homens não, os homens protegendo eles se enaltecem, viram heróis. Nenhuma mulher vira heroína por fazer o almoço todos os dias ou deixar a casa arrumada, mas o homem que abre a porta do carro é enaltecido.

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Além de nos ensinarem a cuidar, amar e nos anular pra isso, somos ensinadas também à heterossexualidade, que precisamos de um homem na função de companheiros para estarmos bem. Uma mulher que chega aos 30 sem marido ou, pelo menos um namorado, já tá passando da idade, é uma solteirona, mas o homem mesmo aos 40 ou 50 pode estar curtindo a vida. Além de que as mulheres envelhecem e ficam mais feias, os homens ficam charmosos, a idade lhes cai bem (mas isso é assunto pra um outro post). Bom, então estamos ensinando nossas meninas a amar homens, mas não ensinamos nossos meninos a amarem mulheres, como isso pode funcionar?

Pois é, não pode. Quando a gente ensina pras meninas que a coisa mais valiosa que ela pode ter é o amor de um homem, a gente está ensinando que vale a pena tentar de novo e aguentar mais um pouco, porque ele é o verdadeiro amor da vida dela e ela só será completa com ele. Quando encaramos casamento como a salvação para a mulher e uma armadilha para o homem, quando a gente romantiza a violência ou os ciúmes (tipo a frase matar de amor ou ser ciumento porque ama muito), a gente direciona mulheres para o feminicídio. A mulher ciumenta é louca, o homem, ama, está cuidando do que é seu. É assim que a gente alimenta relacionamentos abusivos.

A única forma que um relacionamento pode dar certo e se as duas partes compartilharem coisas. A gente precisa ensinar os meninos sim a amar, respeitar e admirar mulheres desde crianças, e precisamos ensinar as mulheres a serem fortes, independentes, pensarem em si, se amarem e se sentirem completas, além de também conhecer e admirar mulheres. Não é só mãe, nem só pai que tem que ajudar nisso, se você tem contato com crianças e adolescentes, vale a pena refletir sobre isso.

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A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil em média, o feminicídio e a violência masculina ferem e matam mulheres diariamente, não é um cara doente ou psicopata que estupra e mata mulheres por aí, são os homens ensinados a odiarem mulheres, são os homens normais da nossa sociedade patriarcal.

 “Dizer que um homem é heterossexual implica somente que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens hétero reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admiram; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles imitam, idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam: estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com mulheres, o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo; o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres eles querem devoção, servitude e sexo. A cultura heterossexual masculina é homoafetiva; ela cultiva o amor pelos homens.”

Marilyn Frye

Beijos

As meninas são mais bonitas na adolescência – ou incitação à pedofilia

Oi gente,

Outro dia estava conversando com algumas amigas sobre adolescência e uma delas disse que, embora tenhamos melhorado bastante dos nossos 15 anos para hoje, durante a adolescência, muitas meninas são bonitas, mas os meninos… Dificilmente algum salva.

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Será que isso é verdade, ou melhor, o que se esconde por trás dessa verdade? Pense nas meninas, desde crianças nós sofremos pressão para sermos bonitas, cuidarmos da nossa aparência e amadurecer depressa, desde pequenas somos sexualizadas e só a beleza é valorizada, a menina é linda, o menino é forte e inteligente.

A mulher é valorizada por ser novinha e o homem por ser maduro e bem sucedido. Basta olhar em sites de pornografia, em músicas, filmes, casais famosos… A novinha sempre tem destaque, a mulher precisa ser mais nova que o homem, muitas vezes bem mais nova, na pornografia, meninas que aparentam ter menos de 18 anos, são muitas vezes caracterizadas para parecerem crianças. Isso sem falar na pornografia e prostituição real de menores de idade, e nos casamentos infantis, ambos muito comuns aqui no Brasil.

Procura no Google imagens de age play, sugar daddy e sugar baby (age play seria brincar que uma das pessoas é muito mais velha que a outra, prática comum para atividades sexuais e claro, a mulher é, na maioria das vezes, a mais nova; sugar daddy é o homem maduro e bem sucedido que quer ostentar e sustentar uma sugar baby, a menina bonita e novinha).

Homem melhora com o tempo, ficam charmosos com seus cabelos brancos e marcas de expressão, tornam-se bem sucedidos, maduros. As mulheres não, elas precisam tingir o cabelo, usar cremes e fazer tratamentos estéticos, ou todos perceberão sua idade real, o que é um problema.

Homens podem envelhecer e continuar sendo galãs, olha o José Mayer, Antônio Fagundes e Tarcísio Meira (só pra ficar entre os brasileiros) que continuam (ou continuaram por muito tempo) fazendo papel de homens desejáveis. As mulheres não, elas logo perdem os papeis principais, são trocadas por outras mais jovens.

Não há nada essencial que faça as mulheres mais bonitas na adolescência ou a maturidade cair melhor para os homens. Mas nossa sociedade continua valorizando essa realidade, o que movimenta muito a indústria da beleza e das plásticas, sem falar na indústria pornográfica e da prostituição, e contribui bastante para perpetuar casais com enorme diferença de idade nos quais o homem é muito mais velho, o que poderíamos chamar também de pedofilia.

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Talvez vocês achem meio “radical” falar em pedofilia quando tratamos de mulheres maiores de 14 anos, mas o incentivo a esse tipo de relação, onde os homens são sempre os mais velhos, não pode ter outro nome. Eu insisto, pesquisem no Google imagens ‘age play’ e vocês vão ver mulheres fingindo serem crianças, ou até mesmo bebês (mas eu nunca vi um homem fingindo ser um bebê na hora do sexo), busquem ‘novinha’ em sites de pornografia e vocês verão também. Se atentem à média de idade da entrada de meninas na prostituição no Brasil (13 anos). Não é possível negar a cultura da pedofilia e como ela chega a nós nos mínimos detalhes.

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Beijos

Mais macho que você – expressões sexistas

Oi gente,

Já repararam que as expressões que envolvem “coisas de menina ou mulher” são bem diferentes daquelas que falam em “coisas de macho ou homem”?

UFC 184: Rousey v Zingano

Ronda Rousey

Pensem nessas frases “ele é uma moça”, “ela é muito mulherzinha”, “meu irmão bate como uma menina” e “sou mais homem que você”, “ele é muito homem”, “bate que nem macho!”. Deu pra perceber que as frases que usam os estereótipos femininos são sempre negativas, inferiorizando, e as outras, com estereótipos masculinas, são positivas, valorizam? Os exemplos variam bastante, mas o sentido geral se mantém.

Quando usamos uma frase dessas não precisamos explicar o que queremos dizer, todos sabem que ser como uma mulher é ruim e ser como um homem é bom. Se a gente quiser subverter essa lógica, por exemplo, dizer que lutar bem é lutar como uma mulher, temos que explicar esse novo sentido, já que naturalmente lutar como uma mulher é lutar mal.

Bom, eu sou mulher e não posso achar razoável que ser como eu (e como metade da população mundial) seja considerado negativo. Isso sem contar que mulheres são pessoas, cada uma com uma particularidade e habilidades diferentes, não há uniformidade em ser mulher (só o fato de ser mulher e ser criada como tal, mesmo). Pense nas mulheres que vocês conhecem, certamente elas possuem habilidades, e cada uma suas habilidades diferentes. Então qual o sentido de, quando dizemos “faz x coisa como uma mulher” querer dizer que a coisa é mal feita (a não ser que se trate de alguma habilidade dentro do estereótipo feminino, como limpar ou cuidar)?

Brazil v Korea Republic: Group E - FIFA Women's World Cup 2015

Marta

Somos criados com a ideia de que mulher é inferior, então é óbvio que mesmo as mulheres não querem se encaixar no estereótipo feminino, que é negativo, mas no masculino, positivo. Precisamos, não só parar de falar “agir como uma mulher” x “agir como um homem”, mas também chamara a atenção daqueles que ainda usam essas expressões e, claro, parar de ensinar que mulheres são inferiores.

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Amigo homem é melhor

Oi gente,

Desde pequena a maior parte (se não todas) das minhas amigas era menina. E eu sempre ouvi dizer que ter amigos homens era bem melhor.

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Eu não sabia dizer, eu não tinha, mas ouvia que homens que eram amigos de verdade, não tinham frescura nem eram falsos como as mulheres. Eu só conseguia pensar que minhas amigas não eram falsas, eram ótimas, mas eu queria sim ter amigos homens, se todos diziam que eles eram melhores, eles deviam ser mesmo.

Não é que eu não convivesse com homens, sempre convivi, mas amigo mesmo, daqueles que posso chamar pra sair, conversar e tals, passei a maior parte da minha vida sem. Fui ter amigos homens na faculdade, amigos que guardo até hoje e sim, adoro meus amigos homens. Mas há alguns anos parei para refletir por que todo mundo sempre diz que amigos homens são melhores e por que eu sempre quis tanto ser rodeada por eles.

Bom, percebi algumas coisas. De forma geral, ser homem é melhor que ser mulher, mulher é falsa, faz intriga, é fofoqueira, é fraca, fresca, metida, fútil… enfim, quando a gente pensa no estereótipo mulher ele é sempre negativo (você parece uma mulherzinha x bate que nem homem). Então nada mais lógico do que querer estar cercado dos melhores, ou seja, homens. Por isso ter amigos homens é tão melhor. Além disso, se os homens te aceitam no meio deles está claro que você é diferente, você não é como as outras mulheres (ou seja, você não é metida, fresca, fraca, fútil, etc, etc), você é melhor que elas. E sério, quem quer ser igual às outras mulheres se ser mulher é sempre negativo?

Mas peraí, quem disse que essa definição é real? Eu sou mulher, tenho vários defeitos, várias qualidades, sou um ser humano único e não correspondo ao estereótipo, as várias e várias mulheres que conheço também são assim, cada uma do seu jeito, mas nenhuma pior de verdade que os homens. Pois é, mas desde pequena querem me ensinar a não confiar de verdade nas mulheres, querem dizer que não são amigas de verdade e que existe uma rivalidade entre a gente e aí pronto, sem nem perceber a gente passa a ver mulher como inimiga (aquela vaca piranha, falsa, recalcada, mulher se veste pra outras mulheres, pra se comparar, pra causar inveja).

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A gente é ensinada a isso tão desde pequena que muitas vezes nem questionamos e acabamos nos achando superiores mesmo em relação às outras mulheres, seja por termos amigos homens, seja por outro motivo. Ou seja, se sentir superior por ser cercada de amigOs acaba aumentando essa rivalidade feminina, que nem devia existir, né?

E tem mais uma coisa, desde crianças a gente é criada também pra agradar os homens, chamar atenção deles e ser interessante do ponto de vista deles (homem não gosta de mulher gorda, homem gosta de mulher gostosa, quem gosta de osso é cachorro, homem tem medo de mulher tão inteligente, homem odeia discutir relação, nossa, chata assim você nunca vai conseguir ter um namorado ou casar…).

Bom, eu consegui ver que tudo isso de amigo homem ser melhor é besteira, eu sou mulher e sou incrível (e foda-se a modéstia), minhas amigas são, na maioria, mulheres e são incríveis, eu sou cercada de mulheres incríveis (e outras horríveis também, e homens incríveis e horríveis também, claro). Tento sempre refletir e não aumentar a rivalidade que tanto ensinam pra gente nem pregar conceitos prontos que inferiorizem mulheres. Aí, depois de refletir sobre por que é tão melhor ter amigos homens, cheguei a conclusão que é só mais um jeito de inferiorizar mulheres e que não, amigos homens não são melhores, vamos valorizar as mulheres do nosso lado.

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Beijos

Precisamos falar sobre a cultura do estupro

Oi gente,

Eu tenho uma lista de assuntos sobre os quais quero escrever por aqui (e eu atualizo pouco não é por falta de ideias nem de tempo, mas falta de disciplina e organização), mas às vezes surge alguma coisa que não dá pra deixar pra lá. E foi isso que aconteceu.

Quarta feira eu fiquei sabendo do vídeo vazado do estupro coletivo. Muito antes da mídia anunciar, diversas páginas feministas já estavam divulgando nomes e pedindo para ajudarmos a denunciar. O feriado inteiro meu feed do Facebook ficou tomado de notícias e reflexões sobre o assunto. Confesso que não foi um feriado fácil pra maioria das mulheres que conheço e uma coisa ficou bem clara, precisamos falar sobre cultura do estupro.

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Mulher, um objeto a ser consumido, assim como a cerveja

Fica bem claro que vivemos em uma cultura do estupro quando as meninas, ainda criança, aprendem que é normal o menino tentar levantar sua saia, quando reforçamos pros meninos que eles precisam ser garanhões, que podem roubar um beijo da amiguinha, que quanto mais namoradinhas ele tiver, melhor, que quando um menino bate em uma menina é porque gosta dela, que o menino quando crescer vai “pegar todas” e a menina “vai dar trabalho”, quando dizemos “prendam suas cabras que meu bode está solto” ou que pai de menina “passa de consumidor a fornecedor”.

Enaltecemos a cultura do estupro quando ensinamos para as meninas que não devem ser assertivas, que devem fazer charminho ou cu doce, e aí deslegitimamos o “não” das mulheres, e também quando ensinamos os meninos que não devem desistir no primeiro “não”, que devem insistir sempre, quando ensinamos que o papel do homem é “avançar o sinal”, “forçar a barra” e o da mulher de “travar”, quando falamos do instinto masculino e de sua necessidade de sexo e ensinamos que as mulheres devem tomar cuidado ou que usando certa roupa, tendo certo comportamento, estando em certo lugar, andando com certas pessoas, tendo certas atitudes “está pedindo” ou “mereceu”, ou que não devem dizer “não” a seus namorados, já que “se não tiver em casa, ele vai procurar na rua”, ou que “o homem não sabe por que bate, mas a mulher sabe por que apanha”, ou “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” naturalizando a violência.

Incentivamos a cultura do estupro quando achamos normais propagandas que objetificam as mulheres como se fossem produtos ou reforçam a ideia do homem usando a força sobre a mulher, quando a imagem da mulher só importa se estiver a serviço do homem, se for bela, quando a sexualidade da mulher está sempre voltada a agradar os homens, nunca preocupada com o prazer da mulher, quando desumanizamos estupradores e os comparamos com monstros ou vermes, quando na verdade são apenas homens, quando dizemos que esses mesmos estupradores “viram mulher” na cadeia, reforçando que ser mulher é ser violentada.

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Apologia bem clara ao estupro, a propaganda a serviço dessa cultura

Estimulamos a cultura do estupro com a indústria pornográfica que só foca no prazer masculino, onde a violência é banalizada, o sexo bom é o “selvagem” que “mete com força”, “arromba” e chama de puta, onde mulher é tratada como objeto, humilhada e tem mais é que gostar, porque isso é ser livre, é não ser puritana, quando achamos ok homens comprarem sexo e fazerem o que quiserem com mulheres, já que estão pagando.

Incitamos a cultura do estupro cada vez que mulheres são vistas apenas como objetos que servem apenas para sexo e o prazer masculino, cada vez que estudamos, lemos, assistimos e valorizamos apenas homens e deixamos mulheres como seres humanos de segunda categoria (ou o segundo sexo, como bem colocou Simone de Beauvoir).

Precisamos discutir sobre cultura do estupro, precisamos conversar com as crianças, com os adolescentes, com nossos alunos, filhos, sobrinhos e amigos. Precisamos apoiar outras mulheres, precisamos nos unir, nos ouvir.

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Beijos

 

Estereótipos de gênero e o cabelo curto

Oi gente,

Até 2008 eu tinha um cabelo enorme e cortei na altura do queixo. De lá pra cá tive diversos cortes entre médios, curtos e curtíssimos e também diversas cores de cabelo.

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Meu cabelo

Acho que todo mundo concorda que na nossa sociedade o cabelo mais aceito como “de mulher” é o cabelo comprido, é só a gente olhar em volta, a maioria dos homens tem cabelo muito mais curto que a maioria das mulheres. Ter cabelo comprido é algo que nos ensinam desde criança que é de menina, feminino, sensual, que deixa qualquer mulher mais bonita.

Então a gente não seguir isso que foi imposto é quebrar estereótipo de gênero. Pois bem, até sexta eu estava com o cabelo curto para médio, por mais que fosse um cabelo curto “para mulher”, ainda era um cabelo feminino (que diabos é um cabelo feminino, serio?). Pois bem, agora ele está curtíssimo.

Não é a primeira vez que uso um curtíssimo, então não é a primeira vez que enfrento a dificuldade de quebrar estereótipos de gênero. E ir contra o padrão definitivamente não é fácil.

AOL Build Speakers Series - Sacha Baron Cohen and Gabourey Sidibe, "The Brother Grimsby"

Atriz Gabourey Sidibe

Eu tenho plena noção de que estou bem dentro dos padrões estéticos e, mesmo assim, só por ter o cabelo curto, já sinto pressão, imagina quem realmente está fora dos padrões impostos ou realmente desafia os estereótipos de gênero.

Eu adoro meu cabelo curto (e por isso que cortei), mas nem por isso deixo de sentir pressões ou ouvir (mesmo sem perguntar ou ter pedido opinião) que eu fico melhor de cabelo comprido ou da cor natural. Inclusive percebi que com o cabelo mais curto acabo usando maquiagem com mais frequência como que para compensar a falta de “feminilidade” dos cabelos curtos.

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Cássia Eller

Tem dias que consigo ignorar melhor os estereótipos , mas em outros acabo cedendo. Não é fácil amar um corpo gordo, um rosto com cicatrizes e manchas, um nariz mais largo, um cabelo crespo ou mesmo um curto, mas acho que o primeiro passo é tomar consciência da opressão e questionar, questionar sempre.

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Beijos

Bela, recatada e do lar

Publicado em

Oi gente,

Vocês devem ter visto que há algumas semanas a revista Veja publicou uma matéria sobre Marcela Temer, esposa do vice-presidente, Michel Temer. Não li a matéria, mas pelo que soube, a revista coloca Marcela como a perfeita primeira dama, bela, recatada e do lar.

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Do carnaval

Lógico que essa imagem da mulher perfeita, bela, recatada e do lar, deixou muitas mulheres insatisfeitas e gerou uma grande campanha no Facebook e outras redes sociais em que mulheres postavam fotos com a #belarecatadaedolar desafiando esse estereótipo. Não vou falar da matéria porque, como disse antes, não li, quero falar sobre a campanha das mulheres.

O estereótipo bela, recatada e do lar é empurrado pra gente desde que nascemos. Por mais que as mulheres estejam no mercado de trabalho (e as mulheres pobres sempre tenham estado), é bem comum aquele sonho do marido rico que nos sustenta, o cara que ganha o suficiente para pagar nossas contas e a gente até pode trabalhar, mas por diversão, porque queremos.  Com certeza também conhecemos muitas mulheres que pararam de trabalhar depois que tiveram filhos para se dedicar inteiramente a eles e ao lar.

Claro que a campanha não é contra a Marcela ou as outras mulheres, mas contra o sistema que nos empurra esse ideal e contra a revista que faz uma matéria dessas, elogiando e valorizando esse tipo de mulher. Pois bem, eu poderia discutir mil coisas sobre esse assunto, mas vou discutir mesmo a hashtag.

Vi várias amigas usando a tal hashtag (#belasrecatadasedolar) e muitas delas trocando as palavras. Trocaram recatadas por desbocadas, descabeladas e do lar por do mar, do bar entre outras palavras. Mas o bela, todas mantiveram o bela. Claro que podemos passar horas discutindo padrões de beleza e o que significa ser bela, mas aqui a questão está mais para a importância da aparência, de não conseguirmos nos livrar da obrigação de sermos sempre belas.

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Será que a beleza precisa estar sempre entre nossas maiores qualidades? Será que é tão importante assim a gente ser “bela”? Será que se fôssemos elogiar um homem a beleza estaria entre as qualidades mais importantes?

Não estou aqui pra dar nenhum tipo de resposta, só para provocar a reflexão mesmo. Sempre foi nos cobrado que fôssemos belas, recatadas e do lar, já conseguimos nos revoltar contra o recato e o ser do lar, por que ser bela ainda é tão importante? Será que não devemos rever isso também? Não digo para nos considerarmos feias, mas para darmos valor a outras qualidades, sairmos das aparências, não sermos objeto decorativo de homem, mas importantes por nós mesmos.

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Beijos

Vale a pena #2

Publicado em

Oi gente,

Esse segundo Vale a pena tem uns textos que vão bem na contramão do primeiro.

Eu disse que tinha mudado algumas opiniões e alinhamentos, certo? Pois bem, convido todos a sempre refletirem sobre tudo que leem e buscar pontos de vista diferentes. O que posto aqui no blog não é verdade absoluta e nem se pretende ser, é apenas o que eu acredito e o que faz sentido pra mim. Vamos aos links então.

  1. Esse vídeo da Carol Wojtyla fala sobre vazamento de nude, inclusive sobre o vazamento de nudes em lugares supostamente seguros, como grupos feministas e lugares apenas com outras meninas.

  1. Esse vídeo é da Louie, uma menina lésbica falando sobre seu gênero, ser menina e menino, transgêneros e etc. Ela fala bastante sobre a vivência dela, acho bem interessante.

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  1. Esse texto é bem polêmico. Eu adoro, mas sei que muita gente não vai concordar. Tudo bem ter uma visão diferente, vamos só manter o respeito, ok? Fala sobre transfobia, o termo TERF (que é trans-exclusionary radical feminism, ou feministas radicais que excluem trans) e o problema de usar esse termo.

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  1. Acho que todo mundo sabe que as mulheres estão lutando cada vez mais por sua liberdade sexual, certo? Por poderem fazer sexo quando quiserem, por poderem gostar de sexo sem se envergonhar e etc. Mas às vezes toda essa liberdade se torna uma prisão. O texto fala sobre isso (e eu quero fazer, mais pra frente, um post sobre também).

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  1. Esse texto fala sobre bissexualidade e também sobre lesbofobia, sobre como muitas vezes nem percebemos a lesbofobia por aí, mas ela está presente e sobre como, muitas vezes bissexuais privilegiam relações com homens.

Esses são os links de hoje, se tiverem algum link legal também pra me recomendar, deixem nos comentários.

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Beijos

Refletindo – Jessica Jones

Oi gente,

Não tenho o costume de assistir seriados, mas comecei a ouvir todo mundo falando de Jessica Jones e me deu muita vontade de ver.

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É um seriado do Netflix em parceria com a Marvel e conta a história dessa super heroína, Jessica Jones. Eu até gosto um pouco de super heróis, mas não foi isso que me fez querer ver a série. Vi muita gente falando que era uma série que retratava o abuso, relacionamentos abusivos e tinha mulheres fortes, representatividade negra e gay.

Pra começar, a Jessica tem sim super poderes, mas eles não são tão incríveis se a gente compara com os outros super heróis que estamos acostumados. Ela é forte, bem forte, mas não é invencível nem nada, é como se fosse uma pessoa realmente bem forte e ela também pula muito alto. Ela é detetive particular e resolve diversos tipos de casos, desaparecimento, marido traindo, enfim… Existem na série outras pessoas também com habilidades especiais, pessoas diferentes da Jessica, com outras habilidades.

Se você não viu a série e pensa em assistir, talvez seja melhor ler o resto do post depois, com certeza darei spoilers.

O vilão da série é o Kilgrave, que também tem poder. A habilidade de Kilgrave é o controle de mentes, ele pode controlar sua mente e te mandar fazer qualquer coisa, não importa o que ele manda, todos obedecem. E foi isso que aconteceu com a Jessica, ela passou um tempo tendo um relacionamento com ele, não porque ela queria, mas porque ele ordenava. O poder de Kilgrave não é absoluto, as pessoas ficam sobre seu poder apenas por um tempo, depois desse tempo ele tem que dar novas ordens, ou a pessoa estará livre. Também tem um alcance limitado, ele não pode chegar no rádio e controlar a cidade inteira.

Bem, a Jessica consegue se livrar desse relacionamento, mas não consegue tocar sua vida normalmente. Os fantasmas do seu passado estão presentes o tempo inteiro, ela tem problemas com bebida e muita dificuldade de seguir adiante. Está tentando se reestabelecer com uma carreira de detetive particular e aí ela tem contato com os pais de uma menina que está desaparecida, Hope.

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Ela investiga e encontra a Hope, mas ela não era apenas uma jovem desaparecida, ela era uma nova vítima de Kilgrave. A Jessica chega a devolver ela pros pais, mas a Hope mata os pais e vai presa. E aí a Jessica começa uma missão de conseguir capturar o vilão, sem matá-lo, para poder provar a inocência da Hope. A Jessica sabia exatamente o que era estar presa nesse relacionamento e sabia que a Hope era inocente, era uma vítima. E aí entra a discussão da culpabilização da mulher.

O Kilgrave representa o homem do relacionamento abusivo. Claro que o poder que ele tem mais intenso do que o que vemos na vida real, mas muito semelhante. Se Kilgrave manda uma pessoa se matar, ela se mata. Na vida real isso não acontece de fato, mas o número de mulheres mortas por parceiros é enorme. A mulher que está em um relacionamento abusivo muitas vezes se sente imobilizada, não consegue reagir, não consegue se livrar, assim como as vítimas da série. E assim como a Jessica e a Hope não são culpadas, a culpa também não é da mulher, ela é a vítima do relacionamento, ninguém apanha porque quer. Muitas vezes ela tem uma dependência emocional e psicológica tão grande que, apesar de saber que deve se livrar, ela não consegue.

Kilgrave é o maior vilão e sua relação com Jessica é a trama principal, mas não é o único ponto interessante da série. Como eu disse no início, podemos ver representatividade negra, personagens negros homens e mulheres e também representatividade lésbica.

Existem também outros relacionamentos bem problemáticos, como o de Trish Walker, melhor amiga de Jessica, e sua mãe. Embora sua mãe não tenha nenhum poder, ela tem uma capacidade de manipulação enorme e tem uma relação completamente abusiva com a filha. Quando Trish é criança ela trabalha em um programa na TV e sua mãe a controla completamente, a obriga a fazer o programa, como agir no programa, o que comer, o que fazer… É um relacionamento extremamente doentio e abusivo, embora a mãe de Trish não tenha nenhum super poder.

Trish, assim como muitas vítimas de relacionamentos tóxicos, morre de vergonha de sua relação com a mãe, mas não tem forças para se livrar dele. Jéssica, que é criada como irmã de Trish depois que sua família sofre um acidente, tenta ajudá-la e ameaça denunciar a mãe, mas a amiga implora para que não conte. Ela prefere esconder o relacionamento e continuar sofrendo com ele do que denunciá-lo. Pode parecer loucura, mas é muito comum que as vítimas estejam tão fragilizadas, que não conseguem denunciar, ou, logo após a denúncia, retirem a queixa.

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Claramente as personagens fortes são as mulheres, Jessica, Trish, Jeryn Hogarth (chefe de Jessica) e é bem interessante como os homens brancos são retratados. Há dois homens brancos realmente importantes na trama, Kilgrave e Will Simpson, que se torna namorado de Trish num relacionamento também problemático. Há um momento em que Jessica, Trish e Simpson estão conversando e ele o tempo todo interrompe Trish, gritando mais alto que ela e a calando. Isso é tão comum na vida real que poderia até passar despercebido. Claramente Will acredita que ele, como homem, é quem deve resolver as coisas e chega a prender Trish em casa, impedindo que ela também aja.

Existem várias outras tramas na série, como a de Jeryn Hogarth, sua secretária, Pam, e a ex mulher, Wendy; Luke e a esposa assassinada Reeva Connors; e os pais de Kilgrave, mas esse post já está enorme. Acho que deu pra ver que eu gostei da série, né? Achei os assuntos tratados bem desenvolvidos e uma série de super heróis bem diferente das que eu já conhecia. Já viram essa série? O que acharam?

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Beijos

Vale a pena #1

Oi gente,

Decidi inaugurar essa nova seção aqui no blog, a Vale a pena.

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Eu sempre entro em um monte de sites, blogs, links e assisto á vídeos e várias vezes gosto tanto do que vejo/ leio que fico com vontade de mostrar pra todo mundo. Nesse tipo de post vou fazer exatamente isso, mostrar um pouco do que eu vi e acho que vale a pena vocês verem também. Não vai ter data certa, quando eu reunir alguns links que eu acho que valem a pena, vou postar aqui.

  1. Eu gosto muito desse canal de forma geral, mas esse vídeo em especial é muito bom. É meio antigo, do início do ano, mas vale a pena. É uma reflexão sobre os privilégios que temos na sociedade. Muitas vezes nos acostumamos tanto com a posição privilegiada que nem questionamos mais. Mas é importante sempre lembrar em que momentos somos sim opressores e o que podemos fazer quanto a isso.

  1. Eu falei um pouco sobre transexualidade há algum tempo, mas não sou transgênera, então, embora seja uma luta que eu apoie, não é minha luta. Nesse vídeo a Paula conta um pouco sobre ela e sobre coisas que não devemos dizer às trans. Ela tem também outros vídeos falando sobre preconceito, vlogs, reflexões…

relacionamento-abusivo-ele-nunca-me-bateu-violência-psicológica-isso-aquilo-e-tal

 

  1. Esse texto é maravilhoso, sobre relacionamento abusivo. Ele trata principalmente sobre as violências mais veladas, aquelas que não são físicas. Não é porque ele não te bate ou nunca encostou a mão em você que ele não pode ser abusivo. Você merece respeito e muito amor, então não pense que “não é tão ruim assim” ou que você vai ficar sozinha se terminar, liberte-se. (coloquei as palavras referentes ao abusador no masculino e referente à abusada no feminino porque a maior parte dos relacionamentos abusivos são assim, mas nada impede que no seu caso seja diferente).

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  1. Conheci esse canal há pouquíssimo tempo, ainda não vi todos os vídeos, mas gostei bastante, a Nátaly fala de diversas coisas e fala bastante de empoderamento negro. Acho ótimo porque eu, como pessoa branca, nunca sofri racismo e acho importante ouvir as negras pra tentar entender melhor e me reconstruir sempre.

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  1. Esse texto me chamou atenção desde o título e é bem pequeno, super rápido de ler. Fala um pouco sobre o viés político da vida, de como a partir do momento que você toa consciência de diversos problemas no mundo, você passa a não compactuar mais com diversas coisas super aceitas e se torna a chata, a politicamente correta. A gente vê, diz e faz tanta coisa preconceituosa todos os dias, que se você começar a reparar nisso, com certeza será a chata que fica de mimimi e se vitimiza. Sorte que eu nunca tive problemas em ser chata.

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