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Arquivo da tag: Feminismo

Vale a pena #2

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Oi gente,

Esse segundo Vale a pena tem uns textos que vão bem na contramão do primeiro.

Eu disse que tinha mudado algumas opiniões e alinhamentos, certo? Pois bem, convido todos a sempre refletirem sobre tudo que leem e buscar pontos de vista diferentes. O que posto aqui no blog não é verdade absoluta e nem se pretende ser, é apenas o que eu acredito e o que faz sentido pra mim. Vamos aos links então.

  1. Esse vídeo da Carol Wojtyla fala sobre vazamento de nude, inclusive sobre o vazamento de nudes em lugares supostamente seguros, como grupos feministas e lugares apenas com outras meninas.

  1. Esse vídeo é da Louie, uma menina lésbica falando sobre seu gênero, ser menina e menino, transgêneros e etc. Ela fala bastante sobre a vivência dela, acho bem interessante.

vulva-revolução-feminismo-radical-transfobia-terf

  1. Esse texto é bem polêmico. Eu adoro, mas sei que muita gente não vai concordar. Tudo bem ter uma visão diferente, vamos só manter o respeito, ok? Fala sobre transfobia, o termo TERF (que é trans-exclusionary radical feminism, ou feministas radicais que excluem trans) e o problema de usar esse termo.

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  1. Acho que todo mundo sabe que as mulheres estão lutando cada vez mais por sua liberdade sexual, certo? Por poderem fazer sexo quando quiserem, por poderem gostar de sexo sem se envergonhar e etc. Mas às vezes toda essa liberdade se torna uma prisão. O texto fala sobre isso (e eu quero fazer, mais pra frente, um post sobre também).

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  1. Esse texto fala sobre bissexualidade e também sobre lesbofobia, sobre como muitas vezes nem percebemos a lesbofobia por aí, mas ela está presente e sobre como, muitas vezes bissexuais privilegiam relações com homens.

Esses são os links de hoje, se tiverem algum link legal também pra me recomendar, deixem nos comentários.

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Beijos

Refletindo – Jessica Jones

Oi gente,

Não tenho o costume de assistir seriados, mas comecei a ouvir todo mundo falando de Jessica Jones e me deu muita vontade de ver.

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É um seriado do Netflix em parceria com a Marvel e conta a história dessa super heroína, Jessica Jones. Eu até gosto um pouco de super heróis, mas não foi isso que me fez querer ver a série. Vi muita gente falando que era uma série que retratava o abuso, relacionamentos abusivos e tinha mulheres fortes, representatividade negra e gay.

Pra começar, a Jessica tem sim super poderes, mas eles não são tão incríveis se a gente compara com os outros super heróis que estamos acostumados. Ela é forte, bem forte, mas não é invencível nem nada, é como se fosse uma pessoa realmente bem forte e ela também pula muito alto. Ela é detetive particular e resolve diversos tipos de casos, desaparecimento, marido traindo, enfim… Existem na série outras pessoas também com habilidades especiais, pessoas diferentes da Jessica, com outras habilidades.

Se você não viu a série e pensa em assistir, talvez seja melhor ler o resto do post depois, com certeza darei spoilers.

O vilão da série é o Kilgrave, que também tem poder. A habilidade de Kilgrave é o controle de mentes, ele pode controlar sua mente e te mandar fazer qualquer coisa, não importa o que ele manda, todos obedecem. E foi isso que aconteceu com a Jessica, ela passou um tempo tendo um relacionamento com ele, não porque ela queria, mas porque ele ordenava. O poder de Kilgrave não é absoluto, as pessoas ficam sobre seu poder apenas por um tempo, depois desse tempo ele tem que dar novas ordens, ou a pessoa estará livre. Também tem um alcance limitado, ele não pode chegar no rádio e controlar a cidade inteira.

Bem, a Jessica consegue se livrar desse relacionamento, mas não consegue tocar sua vida normalmente. Os fantasmas do seu passado estão presentes o tempo inteiro, ela tem problemas com bebida e muita dificuldade de seguir adiante. Está tentando se reestabelecer com uma carreira de detetive particular e aí ela tem contato com os pais de uma menina que está desaparecida, Hope.

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Ela investiga e encontra a Hope, mas ela não era apenas uma jovem desaparecida, ela era uma nova vítima de Kilgrave. A Jessica chega a devolver ela pros pais, mas a Hope mata os pais e vai presa. E aí a Jessica começa uma missão de conseguir capturar o vilão, sem matá-lo, para poder provar a inocência da Hope. A Jessica sabia exatamente o que era estar presa nesse relacionamento e sabia que a Hope era inocente, era uma vítima. E aí entra a discussão da culpabilização da mulher.

O Kilgrave representa o homem do relacionamento abusivo. Claro que o poder que ele tem mais intenso do que o que vemos na vida real, mas muito semelhante. Se Kilgrave manda uma pessoa se matar, ela se mata. Na vida real isso não acontece de fato, mas o número de mulheres mortas por parceiros é enorme. A mulher que está em um relacionamento abusivo muitas vezes se sente imobilizada, não consegue reagir, não consegue se livrar, assim como as vítimas da série. E assim como a Jessica e a Hope não são culpadas, a culpa também não é da mulher, ela é a vítima do relacionamento, ninguém apanha porque quer. Muitas vezes ela tem uma dependência emocional e psicológica tão grande que, apesar de saber que deve se livrar, ela não consegue.

Kilgrave é o maior vilão e sua relação com Jessica é a trama principal, mas não é o único ponto interessante da série. Como eu disse no início, podemos ver representatividade negra, personagens negros homens e mulheres e também representatividade lésbica.

Existem também outros relacionamentos bem problemáticos, como o de Trish Walker, melhor amiga de Jessica, e sua mãe. Embora sua mãe não tenha nenhum poder, ela tem uma capacidade de manipulação enorme e tem uma relação completamente abusiva com a filha. Quando Trish é criança ela trabalha em um programa na TV e sua mãe a controla completamente, a obriga a fazer o programa, como agir no programa, o que comer, o que fazer… É um relacionamento extremamente doentio e abusivo, embora a mãe de Trish não tenha nenhum super poder.

Trish, assim como muitas vítimas de relacionamentos tóxicos, morre de vergonha de sua relação com a mãe, mas não tem forças para se livrar dele. Jéssica, que é criada como irmã de Trish depois que sua família sofre um acidente, tenta ajudá-la e ameaça denunciar a mãe, mas a amiga implora para que não conte. Ela prefere esconder o relacionamento e continuar sofrendo com ele do que denunciá-lo. Pode parecer loucura, mas é muito comum que as vítimas estejam tão fragilizadas, que não conseguem denunciar, ou, logo após a denúncia, retirem a queixa.

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Claramente as personagens fortes são as mulheres, Jessica, Trish, Jeryn Hogarth (chefe de Jessica) e é bem interessante como os homens brancos são retratados. Há dois homens brancos realmente importantes na trama, Kilgrave e Will Simpson, que se torna namorado de Trish num relacionamento também problemático. Há um momento em que Jessica, Trish e Simpson estão conversando e ele o tempo todo interrompe Trish, gritando mais alto que ela e a calando. Isso é tão comum na vida real que poderia até passar despercebido. Claramente Will acredita que ele, como homem, é quem deve resolver as coisas e chega a prender Trish em casa, impedindo que ela também aja.

Existem várias outras tramas na série, como a de Jeryn Hogarth, sua secretária, Pam, e a ex mulher, Wendy; Luke e a esposa assassinada Reeva Connors; e os pais de Kilgrave, mas esse post já está enorme. Acho que deu pra ver que eu gostei da série, né? Achei os assuntos tratados bem desenvolvidos e uma série de super heróis bem diferente das que eu já conhecia. Já viram essa série? O que acharam?

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Beijos

Vale a pena #1

Oi gente,

Decidi inaugurar essa nova seção aqui no blog, a Vale a pena.

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Eu sempre entro em um monte de sites, blogs, links e assisto á vídeos e várias vezes gosto tanto do que vejo/ leio que fico com vontade de mostrar pra todo mundo. Nesse tipo de post vou fazer exatamente isso, mostrar um pouco do que eu vi e acho que vale a pena vocês verem também. Não vai ter data certa, quando eu reunir alguns links que eu acho que valem a pena, vou postar aqui.

  1. Eu gosto muito desse canal de forma geral, mas esse vídeo em especial é muito bom. É meio antigo, do início do ano, mas vale a pena. É uma reflexão sobre os privilégios que temos na sociedade. Muitas vezes nos acostumamos tanto com a posição privilegiada que nem questionamos mais. Mas é importante sempre lembrar em que momentos somos sim opressores e o que podemos fazer quanto a isso.

  1. Eu falei um pouco sobre transexualidade há algum tempo, mas não sou transgênera, então, embora seja uma luta que eu apoie, não é minha luta. Nesse vídeo a Paula conta um pouco sobre ela e sobre coisas que não devemos dizer às trans. Ela tem também outros vídeos falando sobre preconceito, vlogs, reflexões…

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  1. Esse texto é maravilhoso, sobre relacionamento abusivo. Ele trata principalmente sobre as violências mais veladas, aquelas que não são físicas. Não é porque ele não te bate ou nunca encostou a mão em você que ele não pode ser abusivo. Você merece respeito e muito amor, então não pense que “não é tão ruim assim” ou que você vai ficar sozinha se terminar, liberte-se. (coloquei as palavras referentes ao abusador no masculino e referente à abusada no feminino porque a maior parte dos relacionamentos abusivos são assim, mas nada impede que no seu caso seja diferente).

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  1. Conheci esse canal há pouquíssimo tempo, ainda não vi todos os vídeos, mas gostei bastante, a Nátaly fala de diversas coisas e fala bastante de empoderamento negro. Acho ótimo porque eu, como pessoa branca, nunca sofri racismo e acho importante ouvir as negras pra tentar entender melhor e me reconstruir sempre.

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  1. Esse texto me chamou atenção desde o título e é bem pequeno, super rápido de ler. Fala um pouco sobre o viés político da vida, de como a partir do momento que você toa consciência de diversos problemas no mundo, você passa a não compactuar mais com diversas coisas super aceitas e se torna a chata, a politicamente correta. A gente vê, diz e faz tanta coisa preconceituosa todos os dias, que se você começar a reparar nisso, com certeza será a chata que fica de mimimi e se vitimiza. Sorte que eu nunca tive problemas em ser chata.

Deixem nos comentários textos, vídeos, coisas que você viu por aí e merecem ser compartilhados.

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Beijos

recado

Refletindo – por que eu uso maquiagem?

Oi gente

Eu já falei algumas vezes sobre a beleza natural e da gente não ser obrigada a estar sempre maquiada e perfeita, então por que eu, que defendo a beleza natural, ando maquiada?

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Todos nós nascemos em uma sociedade que nos impõe um monte de padrões e um monte de coisas que mudam dependendo da época, do lugar, classe social, da idade, religião, sexo e várias outras coisas. Por mais que a gente não se jugue vítima da moda ou pretenda não seguir padrões impostos, é muito difícil conseguir se livrar deles. Só a gente olhar uma foto de pessoas há 20 ou 30 anos e de pessoas de agora, bem provável que a gente ache estranho a foto mais antiga, o cabelo dos anos 80, por exemplo. E isso fica ainda mais óbvio se olhamos imagens mais antigas. Claro que tem gente que pode amar a moda do século XVIII, mas daí  a usar na rua os vestidos e espartilhos da época, tem uma enorme diferença.

Não dá pra acreditar que todo mundo mudou de gosto junto, né? O que a gente considera como roupa normal hoje é uma imposição da moda. E as coisas podem até ser mais livres do que há décadas atrás, mas não dá pra negar que existe um padrão que é seguido por quase todo mundo, não importa se você é ligado ou não na moda, compra ou não roupa todo mês.

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Mas voltando pra maquiagem, eu, particularmente, até que nasci em um ambiente que incentivou pouco esse uso, vejo meninas bem pequenas já maquiadas enquanto eu, com meus dez anos pedi maquiagem pra minha mãe pra me fantasiar de vampira, não fazia ideia do que era um rímel ou blush. Aliás, foi através da maquiagem artística que comecei a me interessar por maquiagem. Comecei procurando tutoriais de maquiagem de monstro, sangue, feridas… E, através deles, cheguei em vídeos de maquiagem normal. Eu achava aquilo bonito, que dava um efeito bonito e decidi treinar e aprender.

Foi aí que eu comecei a usar maquiagem conscientemente, mas na verdade sei que não foi completamente uma escolha, foi uma imposição social, todas as mulheres consideradas bonitas na mídia estão maquiadas, mesmo aquelas que parecem que não estão têm a pele sem manchas ou marcas, as bochechas coradas e os cílios longos, curvados e volumosos. Se alguém me perguntar, eu vou dizer que uso maquiagem porque adoro, me divirto mesmo e acho que fica bonito, não mais bonito que a pele natural, mas um bonito diferente. Ok, mas será que é só isso mesmo?

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Eu saio de cara limpa com bastante frequência, no dia a dia só me maquio se realmente estiver afim e prefiro dormir mais cinco minutos do que me maquiar de manhã. Mas ok, sair de dia sem maquiagem é bem normal, pelo menos aqui no Rio, vejo muita gente sem. Mas e se eu tiver uma festa ou for sair de noite em um dia que eu não esteja com vontade de me maquiar? Pronto, todo aquele discurso de eu faço apenas porque quero acabou, eu não iria de cara limpa em um casamento. E olha que nem é nada demais, não tô falando de ir pelada ou de biquíni, tô falando de ir sem maquiagem, que nem todos os homens vão.

Estou escrevendo esse post aqui, não para convidar todas a invadirem festas sem maquiagem, mas pra gente refletir sobre essa imposição (e as milhões de outras que nos fazem) e ver que, mesmo quando parece ser uma escolha, muitas vezes não é. Por isso eu digo que, ir em um lugar onde todos esperam que você vá maquiada sem estar maquiada, é um ato político, romper essas imposições são atos políticos.

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Beijos

Refletindo – perfeição feminina

Oi gente,

Uma coisa que vejo muito nos blogs e Youtube femininos, principalmente ligados à beleza: mulheres pedindo desculpas por sua aparência.

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É um tutorial de maquiagem que a menina pede desculpas pelo esmalte descascando, uma resenha de uma base e a outra pede perdão pela sobrancelha que não está feita, aquele vídeo que é adiado pela gripe, que deixa a voz rouca ou pela espinha que acabou de brotar… E o tempo inteiro elas pedem desculpas, desculpas por não estarem perfeitas.

Eu sei que o tempo todo somos bombardeadas com essa necessidade da unha feita, da pele lisa, dos pelos apenas onde a gente quer (muitos na cabeça, sem falhas e no lugar nas sobrancelhas e volumosos, longos e curvados nos cílios), mas acho que não dá pra gente aceitar tudo e achar natural essa idealização.

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Em geral, quem faz um blog de beleza gosta de maquiagem, gosta de ter as unhas feitas e tudo mais, mas tem um momento que deixa de ser gosto e passa a ser uma obrigação. Eu gosto de pintar as unhas, até comentei aqui que estou conseguindo ter uma rotina de pintar sempre, mas uma certa semana eu posso não pintar. Pode ser por falta de tempo, de vontade, de dinheiro, de habilidade… Não importa, mas eu não quero ter que pedir desculpas por isso, minhas unhas não nascem naturalmente com esmalte e não quero ter que pedir desculpas por estar natural.

Desculpas eu peço quando faço algo errado, ofendo ou magoo alguém, não porque não tirei as sobrancelhas ou o esmalte descascando aparece no vídeo. Eu entendo que, pra quem trabalha com blog de beleza, a imagem é muito importante e é o cartão de visita. Mas aceitar que é normal pedir desculpa por ser quem você é e não estar nos padrões é só perpetuar essa obrigação. Quanto mais mulheres acharem normal uma unha descascando e postarem isso sem nenhum problema, mais a gente vai mudar esse padrão.

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Não sou contra maquiagem, unhas feitas ou mesmo procedimentos estéticos, mas essa obrigação de só aparecer na foto e na Internet quando se está “perfeita” e dentro dos padrões exigidos acho bem complicado. Acho mais complicado ainda quando os desvios desse padrão são acompanhados de pedidos de desculpas. Eu não vou me desculpar por não ter tido tempo de tirar o esmalte descascado, se o post é pra mostrar um tutorial de maquiagem, as unhas descascadas não fazem diferença.

Já repararam nesses pedidos de desculpas? O que acham?

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Beijos

Refletindo – tudo é política

Oi gente,

Vou começar o post de hoje com uma história real.

Quando eu era criança, um dos sonhos da minha vida era ser escritora (e fazer nado sincronizado também) e me lembro de uma vez que, conversando com a minha mãe sobre músicas e época da ditadura eu defendi o direito de ser neutro, de, mesmo na ditadura, fazer música sem política. Mas aí ela disse que isso não existia, que sempre nos posicionamos. Na época eu não concordei, pra mim era perfeitamente razoável eu me abster, falar sobre outra coisa e não tomar posição.

Mas com o passar do tempo entendi completamente minha mãe e hoje concordo com ela (e ela nem deve lembrar dessa conversa). A questão é que o tempo inteiro a gente faz escolhas e quando decidimos falar, escrever ou apoiar alguma coisa, tem outra (ou outras) das quais não estamos falando, escrevendo ou apoiando. E essa escolha é uma coisa política.

Nem sempre política está ligado a um partido, eleições ou aos políticos. A nossa opinião sobre as coisas e nossas ações em relação a essas coisas é política, então a gente está o tempo inteiro fazendo política e acho importante a gente se conscientizar disso. Quando o casamento homoafetivo foi legalizado em todos os EUA muitas pessoas trocaram as fotos do perfil do facebook, agora outras colocaram um filtro contra a PL5069, há algum tempo houve uma troca de sobrenomes para Guarani Kaiowá, enfim, uma infinidade de coisas. Tudo isso são manifestações de apoio e indicam um posicionamento, uma posição política. E não participar de nenhuma delas é também uma posição.

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Se vestir também pode ser político, nosso estilo muitas vezes passa opinião, o que pensamos sobre moda, consumismo, como queremos nos mostrar pro mundo.

Claro que existem milhões de formas de se posicionar, não é porque não coloquei o arco-íris na foto que eu não apoio a causa ou acho menos importante, mas temos que lembrar que se posicionar ou não faz diferença sim.

Em geral a gente tem as pessoas que estão satisfeitas com a situação atual e que se privilegiam dela, os opressores, e aquelas que querem mudar as coisas, os oprimidos. Claro que nem toda situação de mudança é assim, mas nos casos que eu citei (ditadura, homofobia, machismo, racismo…) é o que vemos. Nesses casos existe um lado mais poderoso, o lado que está no poder e que não quer mudanças e o outro lado, que luta por mudanças.

“Ok, mas eu não quero lutar por essa causa, não quero me posicionar ou falar dela”. O problema quando a gente não fala nada é que a gente acaba fortalecendo o lado dos opressores. Lembra que os opressores não querem que o sistema mude? Então, não falando nada, não se posicionando, a gente acaba fazendo exatamente o que eles querem. Por isso todo ato, todo discurso é político.

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Caso de racismo bem recente, Taís não deixou de se posicionar contra, isso é uma atitude política. Foto: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/203355/Taís-Araújo-é-atacada-com-comentários-racistas-no-Face.htm

Por isso eu comecei a fazer esses posts de refletindo aqui no blog, porque não quero estar do lado do opressor. Vou continuar falando de cabelo, maquiagem, viagem, fotografia, livros e tudo mais? Claro, mas quero também usar minha voz (mesmo sendo baixinha) pras causas que eu acredito. Por isso eu gosto tanto dos blogs que também se posicionam e que usam a voz, o alcance todo pra tratar de assuntos importantes.

Não tem jeito, quanto maior a sua visibilidade, mais pessoas suas atitudes vão alcançar. Então temos sim que prestar atenção no que a gente fala, e quanto maior o público, mais atenção. Uma coisa é eu falar uma besteira entre alguns amigos, outra é eu ser professor e falar a mesma besteira pra turma inteira ouvir. É diferente também um canal do Youtube com 100 mil, 500 mil, um milhão de inscritos, ou mesmo um ator/ atriz na televisão. A gente tem que sempre pensar antes de falar, mas quanto maior nosso público, quanto maior nossa influência, mais a gente tem que tomar cuidado.

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Tatuagem em lugares visíveis do corpo também querem dizer que você não concorda que a tatuagem deve ficar escondida e que você não vai se submeter a isso. Foto: http://starchanges.com/kat-von-d-celebrity-plastic-surgery/

Isso quer dizer que nunca vamos falar besteiras e nos arrepender? Claro que não. Mas percebeu que disse algo ofensivo, preconceituoso, pede desculpa e não repete. E use sua voz, seu corpo, seu espaço para lutar as lutas com as quais você se identifica.

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Beijos

Refletindo -opressores

Oi gente,

Quero tentar falar um pouco sobre opressão e movimento de minorias.

Vou começar contando uma história. Quando eu era mais nova, via muito as pessoas usarem a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) quando se falava em festas, públicos e lugares. Com o tempo, pelo menos na minha percepção, essa sigla começou a ser substituída pela LGBT. Na época lembro que achei estranho, então aqueles que eram simpatizantes, que eram heterossexuais e cisgêneros não tinham mais espaço?

Hoje em dia entendo isso de forma bem diferente. O movimento é LGBT porque são essas pessoas que sofrem o preconceito, que têm menos direitos e que lutam pela própria igualdade. Claro que você, que não representa esse público, é também bem vindo, você, que se via lá no S de simpatizante pode, e deve ajudar, mas o protagonismo não é e não pode ser seu.

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Precisamos marcar de quem é a luta, quem é o oprimido que deve protagonizar o movimento. Eu usei o LGBT como exemplo, mas isso vale para todos os movimentos. Sexta foi dia da consciência negra. Por que consciência negra e não consciência humana? Porque nosso país é extremamente racista, porque precisamos desse dia e porque são os negros que precisam protagonizar seu movimento. Um dia da consciência humana, só manteria o branco como protagonista, como principal e é isso que temos que reverter. Ainda precisamos (e muito) do dia internacional da mulher, do feminismo (que também tem esse nome para lembrar e trazer o protagonismo da mulher) e de tantos outros movimentos de minorias. Precisamos respeitar o protagonismo, a liderança do oprimido em seu próprio movimento.

É muito importante também que a gente se lembre de todos os nossos privilégios e como podemos ser potencialmente opressores. Eu, por exemplo, sou mulher e sou oprimida diariamente por isso, tenho que tomar cuidado com a roupa que uso, tenho que ouvir diariamente piadas e comentários machistas, ganho menos que o homem para fazer o mesmo trabalho e mais um monte de coisas. Mas eu também sou branca, nunca soube o que é sofrer racismo. Por isso preciso me colocar como potencialmente opressora e sempre estar atenta a ouvir os negros sobre racismo.

Quando eu falo para um homem sobre meu medo de ser estuprada eu não quero ser questionada e não acho que ele, que nada sabe sobre isso, pode me deslegitimar. Então tenho que me colocar com a mesma humildade que espero do homem, quando se trata de opressões que eu não sofro.

Se a gente conseguir repensar nossos privilégios e ouvir os oprimidos, dar voz, respeitar, apoiar, aí sim a gente pode, quem sabe, chegar em um dia em que não existam mais privilégio, em que a gente possa abolir os movimentos das minorias, porque aí não vão mais ter minorias. Nesse dia a gente fala de consciência humana.

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Beijos