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Arquivo do mês: maio 2016

Precisamos falar sobre a cultura do estupro

Oi gente,

Eu tenho uma lista de assuntos sobre os quais quero escrever por aqui (e eu atualizo pouco não é por falta de ideias nem de tempo, mas falta de disciplina e organização), mas às vezes surge alguma coisa que não dá pra deixar pra lá. E foi isso que aconteceu.

Quarta feira eu fiquei sabendo do vídeo vazado do estupro coletivo. Muito antes da mídia anunciar, diversas páginas feministas já estavam divulgando nomes e pedindo para ajudarmos a denunciar. O feriado inteiro meu feed do Facebook ficou tomado de notícias e reflexões sobre o assunto. Confesso que não foi um feriado fácil pra maioria das mulheres que conheço e uma coisa ficou bem clara, precisamos falar sobre cultura do estupro.

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Mulher, um objeto a ser consumido, assim como a cerveja

Fica bem claro que vivemos em uma cultura do estupro quando as meninas, ainda criança, aprendem que é normal o menino tentar levantar sua saia, quando reforçamos pros meninos que eles precisam ser garanhões, que podem roubar um beijo da amiguinha, que quanto mais namoradinhas ele tiver, melhor, que quando um menino bate em uma menina é porque gosta dela, que o menino quando crescer vai “pegar todas” e a menina “vai dar trabalho”, quando dizemos “prendam suas cabras que meu bode está solto” ou que pai de menina “passa de consumidor a fornecedor”.

Enaltecemos a cultura do estupro quando ensinamos para as meninas que não devem ser assertivas, que devem fazer charminho ou cu doce, e aí deslegitimamos o “não” das mulheres, e também quando ensinamos os meninos que não devem desistir no primeiro “não”, que devem insistir sempre, quando ensinamos que o papel do homem é “avançar o sinal”, “forçar a barra” e o da mulher de “travar”, quando falamos do instinto masculino e de sua necessidade de sexo e ensinamos que as mulheres devem tomar cuidado ou que usando certa roupa, tendo certo comportamento, estando em certo lugar, andando com certas pessoas, tendo certas atitudes “está pedindo” ou “mereceu”, ou que não devem dizer “não” a seus namorados, já que “se não tiver em casa, ele vai procurar na rua”, ou que “o homem não sabe por que bate, mas a mulher sabe por que apanha”, ou “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” naturalizando a violência.

Incentivamos a cultura do estupro quando achamos normais propagandas que objetificam as mulheres como se fossem produtos ou reforçam a ideia do homem usando a força sobre a mulher, quando a imagem da mulher só importa se estiver a serviço do homem, se for bela, quando a sexualidade da mulher está sempre voltada a agradar os homens, nunca preocupada com o prazer da mulher, quando desumanizamos estupradores e os comparamos com monstros ou vermes, quando na verdade são apenas homens, quando dizemos que esses mesmos estupradores “viram mulher” na cadeia, reforçando que ser mulher é ser violentada.

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Apologia bem clara ao estupro, a propaganda a serviço dessa cultura

Estimulamos a cultura do estupro com a indústria pornográfica que só foca no prazer masculino, onde a violência é banalizada, o sexo bom é o “selvagem” que “mete com força”, “arromba” e chama de puta, onde mulher é tratada como objeto, humilhada e tem mais é que gostar, porque isso é ser livre, é não ser puritana, quando achamos ok homens comprarem sexo e fazerem o que quiserem com mulheres, já que estão pagando.

Incitamos a cultura do estupro cada vez que mulheres são vistas apenas como objetos que servem apenas para sexo e o prazer masculino, cada vez que estudamos, lemos, assistimos e valorizamos apenas homens e deixamos mulheres como seres humanos de segunda categoria (ou o segundo sexo, como bem colocou Simone de Beauvoir).

Precisamos discutir sobre cultura do estupro, precisamos conversar com as crianças, com os adolescentes, com nossos alunos, filhos, sobrinhos e amigos. Precisamos apoiar outras mulheres, precisamos nos unir, nos ouvir.

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Beijos

 

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Estereótipos de gênero e o cabelo curto

Oi gente,

Até 2008 eu tinha um cabelo enorme e cortei na altura do queixo. De lá pra cá tive diversos cortes entre médios, curtos e curtíssimos e também diversas cores de cabelo.

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Meu cabelo

Acho que todo mundo concorda que na nossa sociedade o cabelo mais aceito como “de mulher” é o cabelo comprido, é só a gente olhar em volta, a maioria dos homens tem cabelo muito mais curto que a maioria das mulheres. Ter cabelo comprido é algo que nos ensinam desde criança que é de menina, feminino, sensual, que deixa qualquer mulher mais bonita.

Então a gente não seguir isso que foi imposto é quebrar estereótipo de gênero. Pois bem, até sexta eu estava com o cabelo curto para médio, por mais que fosse um cabelo curto “para mulher”, ainda era um cabelo feminino (que diabos é um cabelo feminino, serio?). Pois bem, agora ele está curtíssimo.

Não é a primeira vez que uso um curtíssimo, então não é a primeira vez que enfrento a dificuldade de quebrar estereótipos de gênero. E ir contra o padrão definitivamente não é fácil.

AOL Build Speakers Series - Sacha Baron Cohen and Gabourey Sidibe, "The Brother Grimsby"

Atriz Gabourey Sidibe

Eu tenho plena noção de que estou bem dentro dos padrões estéticos e, mesmo assim, só por ter o cabelo curto, já sinto pressão, imagina quem realmente está fora dos padrões impostos ou realmente desafia os estereótipos de gênero.

Eu adoro meu cabelo curto (e por isso que cortei), mas nem por isso deixo de sentir pressões ou ouvir (mesmo sem perguntar ou ter pedido opinião) que eu fico melhor de cabelo comprido ou da cor natural. Inclusive percebi que com o cabelo mais curto acabo usando maquiagem com mais frequência como que para compensar a falta de “feminilidade” dos cabelos curtos.

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Cássia Eller

Tem dias que consigo ignorar melhor os estereótipos , mas em outros acabo cedendo. Não é fácil amar um corpo gordo, um rosto com cicatrizes e manchas, um nariz mais largo, um cabelo crespo ou mesmo um curto, mas acho que o primeiro passo é tomar consciência da opressão e questionar, questionar sempre.

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Beijos

Bela, recatada e do lar

Publicado em

Oi gente,

Vocês devem ter visto que há algumas semanas a revista Veja publicou uma matéria sobre Marcela Temer, esposa do vice-presidente, Michel Temer. Não li a matéria, mas pelo que soube, a revista coloca Marcela como a perfeita primeira dama, bela, recatada e do lar.

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Do carnaval

Lógico que essa imagem da mulher perfeita, bela, recatada e do lar, deixou muitas mulheres insatisfeitas e gerou uma grande campanha no Facebook e outras redes sociais em que mulheres postavam fotos com a #belarecatadaedolar desafiando esse estereótipo. Não vou falar da matéria porque, como disse antes, não li, quero falar sobre a campanha das mulheres.

O estereótipo bela, recatada e do lar é empurrado pra gente desde que nascemos. Por mais que as mulheres estejam no mercado de trabalho (e as mulheres pobres sempre tenham estado), é bem comum aquele sonho do marido rico que nos sustenta, o cara que ganha o suficiente para pagar nossas contas e a gente até pode trabalhar, mas por diversão, porque queremos.  Com certeza também conhecemos muitas mulheres que pararam de trabalhar depois que tiveram filhos para se dedicar inteiramente a eles e ao lar.

Claro que a campanha não é contra a Marcela ou as outras mulheres, mas contra o sistema que nos empurra esse ideal e contra a revista que faz uma matéria dessas, elogiando e valorizando esse tipo de mulher. Pois bem, eu poderia discutir mil coisas sobre esse assunto, mas vou discutir mesmo a hashtag.

Vi várias amigas usando a tal hashtag (#belasrecatadasedolar) e muitas delas trocando as palavras. Trocaram recatadas por desbocadas, descabeladas e do lar por do mar, do bar entre outras palavras. Mas o bela, todas mantiveram o bela. Claro que podemos passar horas discutindo padrões de beleza e o que significa ser bela, mas aqui a questão está mais para a importância da aparência, de não conseguirmos nos livrar da obrigação de sermos sempre belas.

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Será que a beleza precisa estar sempre entre nossas maiores qualidades? Será que é tão importante assim a gente ser “bela”? Será que se fôssemos elogiar um homem a beleza estaria entre as qualidades mais importantes?

Não estou aqui pra dar nenhum tipo de resposta, só para provocar a reflexão mesmo. Sempre foi nos cobrado que fôssemos belas, recatadas e do lar, já conseguimos nos revoltar contra o recato e o ser do lar, por que ser bela ainda é tão importante? Será que não devemos rever isso também? Não digo para nos considerarmos feias, mas para darmos valor a outras qualidades, sairmos das aparências, não sermos objeto decorativo de homem, mas importantes por nós mesmos.

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Beijos

Vale a pena #2

Publicado em

Oi gente,

Esse segundo Vale a pena tem uns textos que vão bem na contramão do primeiro.

Eu disse que tinha mudado algumas opiniões e alinhamentos, certo? Pois bem, convido todos a sempre refletirem sobre tudo que leem e buscar pontos de vista diferentes. O que posto aqui no blog não é verdade absoluta e nem se pretende ser, é apenas o que eu acredito e o que faz sentido pra mim. Vamos aos links então.

  1. Esse vídeo da Carol Wojtyla fala sobre vazamento de nude, inclusive sobre o vazamento de nudes em lugares supostamente seguros, como grupos feministas e lugares apenas com outras meninas.

  1. Esse vídeo é da Louie, uma menina lésbica falando sobre seu gênero, ser menina e menino, transgêneros e etc. Ela fala bastante sobre a vivência dela, acho bem interessante.

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  1. Esse texto é bem polêmico. Eu adoro, mas sei que muita gente não vai concordar. Tudo bem ter uma visão diferente, vamos só manter o respeito, ok? Fala sobre transfobia, o termo TERF (que é trans-exclusionary radical feminism, ou feministas radicais que excluem trans) e o problema de usar esse termo.

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  1. Acho que todo mundo sabe que as mulheres estão lutando cada vez mais por sua liberdade sexual, certo? Por poderem fazer sexo quando quiserem, por poderem gostar de sexo sem se envergonhar e etc. Mas às vezes toda essa liberdade se torna uma prisão. O texto fala sobre isso (e eu quero fazer, mais pra frente, um post sobre também).

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  1. Esse texto fala sobre bissexualidade e também sobre lesbofobia, sobre como muitas vezes nem percebemos a lesbofobia por aí, mas ela está presente e sobre como, muitas vezes bissexuais privilegiam relações com homens.

Esses são os links de hoje, se tiverem algum link legal também pra me recomendar, deixem nos comentários.

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