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Livro: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Oi gente,

Faz tempo que eu não faço post sobre livro, né? Tinha um tempo que eu não lia um que eu achasse que valia post. Hoje vou falar sobre o livro Americanah  (520 páginas) da Chimamanda Ngozi Adichie.

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Bom, o livro conta a história de uma jovem nigeriana, Ifemelu e, embora o livro seja narrado em terceira pessoa o ponto de vista é todo dela (quase, na verdade). O livro não é linear, sua narrativa começa no meio da história e, através de flashes back vai contando o passado dessa jovem até que passado e presente se encontram e seguem, narrando o futuro. Eu gosto muito desse tipo de narrativa, dá uma dinâmica diferente e traz um interesse a mais.

Bom, Ifemelu morava na Nigéria junto com sua família e lá começa a namorar Obinze, ainda durante o colégio. Eles começam a fazer faculdade juntos, mas o país enfrenta um momento muito difícil, uma ditadura militar, e quem tem condições se muda, deixa a Nigéria. A faculdade deles começa a enfrentar greve atrás de greve e Ifemelu, que tem a oportunidade de se mudar para os Estados Unidos, deixa o país, a família e Obinze.

Ela passa treze anos nos Estados Unidos e muita coisa muda nesse tempo. Ela, que inicialmente não podia ter um emprego legalmente e era babá de crianças (além de ter se submetido a outro trabalho bem pior), consegue a cidadania americana e cursa mestrado em Princeton, além de ter um blog de muito sucesso.

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A capa pela Companhia das Letras

É nos estados unidos que ela se percebe como negra e lá conhece as diversas faces do racismo. Ifemelu (ou Ifem, como as amigas chamam) amadurece muito nesse período, principalmente no que diz respeito às relações humanas. E é sobre isso que escreve no blog, sobre situações cotidianas, conversas que ouve ou pensamentos que tem. Sempre sob sua visão, a de uma negra não americana, ela relata algo e interage com os leitores nos comentários. Com o sucesso desse blog ela começa a ser chamada para dar palestras e até mesmo estudar em Princeton.

Após esses treze anos ela decide voltar para a Nigéria e aí tem uma nova dificuldade, se encontrar novamente no país que, ao mesmo tempo que é dela, está completamente mudado. Na verdade tanto ela mudou, como sua cidade, Lagos, e agora devem estabelecer uma nova ligação. Além disso há Obinze, com quem Ifem cortou o contato logo depois de ir aos EUA. Obinze também passou por momentos difíceis, tentou a vida em Londres, mas foi deportado como imigrante ilegal. Depois acabou conseguindo se tornar um homem próspero em Lagos. Encontrar-se novamente em Lagos e na história de Obinze, agora um homem casado com uma filha, é o novo desafio de Ifemelu.

Não é apenas a história da vida e amores de Ifem, mas uma história política e social muito forte. Aborda as dificuldades de ser uma mulher não americana negra nos Estados Unidos e todas as vivências que isso acarreta. Podemos ver algumas passagens de seus posts no blog e aprender muito sobre essa realidade que é bastante difícil. Além do ponto de vista dela, conhecemos também a história de Obinze na Inglaterra, com muitas dificuldades, vivendo de subempregos e favores de amigos até sua deportação.

Não é uma história de amor, quer dizer, claro que é, mas é muito além disso, se você quer ler apenas um enredo amoroso, escolha outro livro. Também não acho que é o livro ideal para quem fala de racismo inverso e vitimização dos negros. Na verdade talvez seja, talvez seja exatamente o que você está precisando ler, mas se você quiser conhecer uma outra visão e ver a realidade do imigrante negro africano, se for manter a cabeça fechada de não existe racismo, acho que não vai gostar.

A autora

A autora, Chimamanda Ngozi Adichie.

Eu gostei demais, tem uma questão política bem forte que me interessa, um enredo bom e me apeguei bastante aos personagens (o que é essencial pra que eu goste de um livro). Quero procurar outros livros da autora, que é nigeriana, para ler.

Vocês já leram ou ouviram falar desse livro?

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Beijos

Livro: As brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley

Oi gente,

Hoje quero falar um pouco de um livro, na verdade uma série de livros que eu terminei de ler, na verdade reler, há alguns dias.

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Dá pra ver que os livros são bem antigos. O primeiro veio sem essa capa de papel protegendo o couro aí minha mãe fez uma para mim.

Acho que essa foi a terceira vez que li essa série. Minha mãe, há muitos anos atrás, encontrou esses quatro livro em um sebo e comprou pra mim. Eu nunca tinha ouvido falar de As brumas de Avalon e não gostei da capa, enrolei séculos pra ler até que tomei coragem. E aí foi só amor.

Acho que quase todo mundo sabe que esse livro conta a história do rei Arthur e todas aquelas lendas, mas é bem diferente da maioria. A história é narrada a partir de pontos de vista femininos. Ela não é em primeira pessoa nem nada, mas o foco principal é nas mulheres. A personagem principal desse livro é a Morgana, irmã de Arthur, mas ela não é a única mulher que fica em foco durante o livro.

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Um ponto de vista diferente sempre vai gerar uma história diferente, então é muito interessante ver a mesma história por outro lado. Claro que, por ser diferente do que já conhecemos, pode causar certo estranhamento, mas acho legal dar uma chance para esse livro que, ao invés de ir aos campos de batalha com os homens, espera pacientemente, fiando, tecendo, cuidando da casa com as mulheres.

Claro que os homens são também muito importantes no romance, o mundo medieval, muito mais do que hoje, era totalmente governado e comandado por homens. Por isso mesmo, ainda mais interessante o foco nas mulheres num momento histórico que sua importância era considerada tão pequena.

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O foco principal não é nas guerras contra os saxões, mas na força cada vez maior da Igreja Católica. Inicialmente as crenças pagãs ainda têm muita força, os rituais são celebrados e os ensinamentos passados de geração em geração. Mas aos poucos os padres vão ganhando força e, não apenas conseguindo mais fiéis através de suas palavras, mas também proibindo rituais antigos e taxando tudo que é diferente de bruxaria.

Morgana, iniciada sacerdotisa da Deusa, vê o mundo em que acredita cair e deixar de existir. E luta contra isso, não contra a Igreja de fato, mas contra o esquecimento de sua gente, a proibição de seus ritos e profanação do que considera sagrado. Vemos seus questionamentos e as transformações que enfrenta ao longo da sua vida.

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Por não ser a história tradicional do rei Arthur haverá muitos pontos que estão em desacordo com a lenda que já conhecemos. Mas assim são as histórias quando contadas de diferentes pontos de vista, se tornam, muitas vezes, narrativas completamente diversas, por vezes irreconhecíveis. Não há a verdade ou a mentira, afinal, é uma lenda, mas eu realmente me identifico e gosto muito mais dessa versão.

Já leram esse livro? Deixem suas opiniões nos comentários. Pra me acompanhar fora do blog, me sigam no Instagram e curtam a página do Facebook. Se quiser receber os posts no seu e-mail, segue o blog.

Beijos

Mil rosas roubadas – Silviano Santiago

Oi gente,

Estamos em Junho, hora de falar do livro de Maio do meses X livros. Não sabe do que se trata? Olha aqui. O livro do mês passado foi o Mil rosas roubadas, do Silviano Santiago (276 páginas).

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O livro se inicia em um hospital com dois personagens, o narrador e seu amigo, Zeca, que está a beira da morte. Morre Zeca e o narrador não pode acreditar naquilo, além de perder seu amigo mais querido, perdeu também seu biógrafo. Sim, ele tinha a ideia de que Zeca seria o último a morrer e escreveria sua biografia. Como isso já não é mais possível, ele decide, então, escrever a biografia de Zeca. E essa é a história do livro, não a biografia de Zeca, mas o narrador biografando Zeca.

Além de amigo de Zeca, o narrador é também professor universitário e historiador e, realmente, vemos muitas marcas históricas durante a leitura. Ambos passaram a infância e adolescência em Belo Horizonte, então a cidade é descrita, o trajetos das ruas, as casas e as pessoas. Pessoas são pesquisadas e relações feitas, realmente estamos diante de um professor de história. Embora se comprometa em fazer a biografia do amigo, Mil rosas roubadas em nada se assemelha a outras biografias. Ela não só não segue uma ordem cronológica, como também não é realmente centrada na figura do Zeca. Para mim, aquela frase do Freud “Quando Pedro fala de Paulo mais sei de Pedro do que de Paulo” nunca me pareceu mais correta. Pelo menos nesse caso, ao falar de Zeca, o narrador acaba revelando muito mais sobre si mesmo. Na verdade não é que, ao falar do Zeca, revele sobre si mesmo, quer dizer, é também, mas é mais que Zeca não é o ponto central da trama, o ponto central é ele mesmo.

Zeca aparece muito, mas porque foi muito presente na vida do narrador. E não são apenas fatos narrados, mas toda a leitura é entrecortada por fatos históricos, reflexões do narrador e em muitos momentos esse narrador se dirige diretamente ao leitor. Confessa, inclusive, sua prolixidade. Sabe que não está indo direto ao ponto, tenta voltar ao assunto principal, mas acaba por se perder novamente. E assim é o livro, o narrador fala de Zeca e de si mesmo. E, por falar de si mesmo, fala mais do Zeca. Trata bastante da relação entre eles.

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Se conhecem em Belo Horizonte em um ponto de ônibus e ao fim da vida estão ambos no Rio de Janeiro. Um, professor universitário, funcionário público com estabilidade. Outro, artista. São dois homens, dois amigos muito diferentes que aprendem a conviver um com o outro. Mais do que aprendem, bem mais. Ambos homossexuais e descobrindo sua sexualidade, mas sem nunca se configurarem em um casal.

Mil rosas roubadas é uma mistura de biografia, ficção e ensaio e Zeca é Ezequiel Neves, amigo falecido de Silviano Santiago. Embora seja baseado em uma história real, uma amizade real, vidas reais e muitos personagens que aparecem são também reais, há muito de ficcional. Para começar a narrativa sai da memória do narrador e não podemos confiar na memória como sendo factual, principalmente quando falamos de contar algo em detalhes. Segundo há fatos deliberadamente fictícios, como o fato do narrador ser um historiador. Silviano é professor sim, mas de literatura.

Bom, confesso que tive dificuldade com esse livro, a leitura foi arrastada. No início eu estava gostando, mas não era algo que me prendesse, então tinha dificuldade de ler por muitas horas ou retomar a leitura no dia seguinte. Eu lia o livro, via todas aquelas voltas do narrador e estava esperando realmente a história começar, a narrativa, a biografia. Depois de algumas páginas eu desisti de esperar, aceitei que o livro seria assim, uma longa digressão, até o fim. Eu não tenho nada contra digressões, eu sou uma pessoa muito prolixa (só ver o tamanho dos posts do blog), mas a digressão dele não foi interessante para mim. Foi um livro difícil e tenho certeza que não captei nem metade de seu conteúdo, pois muitas vezes passava páginas e páginas sem de fato prestar atenção. E em momento nenhum me interessei em voltar. Acho que terminei o livro apenas por ele ser o livro do mês de Maio.

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Inclusive isso me fez refletir, quero continuar com o projeto sim (o meses X livros), mas não vou segui-lo todos os meses, vou buscar um livro que eu realmente queira ler com a letra do mês, se não encontrar, vou colocar outro no lugar. Não tenho nem ideia, por exemplo, de dois livros com a letra J para Junho e Julho. Falando da prolixidade do narrador, meu post já está enorme. No fim das contas realmente não gostei do livro.

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Beijos

Livro: Admirável mundo novo – Aldous Huxley

Publicado em

Oi gente,

Mês novo começando com um feriadinho prolongado, nada melhor do que uma indicação de livro, certo? E, pela primeira vez, vou mostrar um livro físico, de papel, que não está no Kobo.

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Abril trouxe Admirável mundo novo, do Aldous Huxley. É um livro de 1932, uma ficção científica, ou distopia, como está na moda chamar agora. Não sei exatamente em que ano o livro se passa, mas podemos perceber que são muitos anos no futuro.

Nesse futuro temos uma sociedade separadas em castas, não temos mais Deus e quem ocupa seu lugar é Ford. Então há um novo calendário e os anos são contados a partir dele (ano 650 depois de Ford, por exemplo). Seu nome é usado também em exclamações e interjeições e existe também um sistema bem complexo de reprodução humana. As pessoas não nascem mais por vias normais, tudo é feito em laboratórios e tubos de ensaio e, desde o início, as pessoas são condicionadas a determinada casta. Toda a educação é voltada para que as pessoas se encaixem na sociedade e em suas respectivas castas, então, a princípio, todos estão satisfeitos. Se há algum problema eles têm o soma, uma droga que todos tomam com frequência e acaba com todos os problemas. A organização da sociedade é muito baseada nisso, a harmonia entre as castas. Todos devem fazer aquilo que foi pré-determinado, sem questionamentos, sem novidades. O consumo de bens materiais é exagerado e as interações sociais também, ninguém deve fazer atividades solitárias. A monogamia também não deve ser encorajada, “cada um pertence a todos”, então não há ciúmes ou sensação de posse.

São diversos os ditados repetidos pelos personagens, esses ditados foram ensinados a todos desde o nascimento e regem a vida em sociedade. Ser questionador é um problema, e esse é o problema de Bernard, um alfa mais (a casta superior). Ele não consegue se encaixar na sociedade, é diferente fisicamente dos outros alfa mais, não gosta das atividades sociais que todos gostam, consome pouco soma e está sempre questionando os ditados e agindo diferente dos outros. Bernard acaba se apaixonando por Lenina, uma beta mais que, diferente dele, se encaixa perfeitamente na sociedade e nunca questiona nada.

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Certo dia Bernard e Lenina vão visitar uma reserva histórica, um local cercado e protegido onde pessoas vivem fora da sociedade idealizada. Seria algo comparado a uma reserva indígena, mas há uma separação muito maior entre as sociedades e os civilizados enxergam os selvagens quase como um zoológico, um campo de estudo. Bernard e Lenina vão visitar uma reserva e acabam encontrando Linda. Linda é uma civilizada que, há muitos anos, em uma visita, acabou se perdendo e ficando entre os selvagens. Ela está completamente mudada, inclusive teve um filho de modo natural, mas anseia loucamente por voltar à civilização.

A partir daí começam muitos problemas e questionamentos, não mais da parte de Bernard, mas de John, filho de Linda. Ele vai à civilização, mas tem uma visão muito diferente de tudo e há um choque enorme, ele não consegue compreender ou aceitar diversos costumes.

É um livro bom e bastante interessante, inclusive percebemos que, embora nossa sociedade não se pareça com a do livro, muitas das direções apontadas por Huxley são realmente seguidas atualmente, como o incentivo ao consumo, avanço de novas tecnologias, a busca pela juventude eterna, etc. Não é uma obra verossímil, não parece que ela realmente revela o nosso futuro, mas é muito interessante para refletir diversas das nossas atitudes, se são realmente positivas ou não.

Esse livro, ao contrário das distopias atuais, não tem foco principal no enredo. Ele é bastante descritivo e se preocupa em esmiuçar as técnicas e o funcionamento dessa nova sociedade. Em alguns pedaços ele chega a parecer um livro teórico, não uma ficção. Percebemos claramente que o foco principal não é o enredo, mas repensar a sociedade e os rumos que estamos dando a ela. Do meu ponto de vista não tem nenhum personagem que eu realmente goste, me identifique e torça, e isso me faz falta. O que eu mais gosto nos livros são os personagens e suas histórias, senti falta disso no livro. Ainda assim, se você se interessa pelo tema, recomendo bastante a leitura.

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Quais livros vocês estão lendo e me recomendam? Já leram esse?

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Beijos

O que achei do Kobo

Oi gente,

Quem acompanha os posts sobre livros já está cansado de ver fotos do meu e-reader. Pois é, comprei (na verdade ganhei) o Kobo em 2013.

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Existem vários e-readers no mercado. No Brasil, que eu saiba, são três os principais, o Kindle da Amazon, o Lev da Saraiva e o Kobo da Livraria Cultura. Vou falar do Kobo e da minha experiência com ele nesses dois anos.

Ele é um e-reader, ou seja, um leitor de e-books, feito para ler livros. Sei que muitas pessoas usam o tablet para ler livros, mas são aparelhos muito diferentes. Pra começar o kobo é totalmente preto e branco e sua tela não é luminosa, não é de lcd ou led, mas de e-ink. Essa tinta eletrônica (e-ink) se organiza na tela e forma as páginas, então outra grande diferença é a iluminação. O Ipad é luminoso, a tela emite luz, o Kobo não. Inclusive, por não emitir luz direto no nosso olho ele cansa bem menos a vista. A desvantagem é que precisaremos de uma luz externa, uma lâmpada, lanterna ou luz do Sol. O vidro do e-reader é fosco e anti reflexo, evitando atrapalhar a leitura.

Cada marca de e-reader tem diversos modelos, o meu é o Kobo Touch, ele, como o nome diz, é touch, tem apenas um botão físico para voltar à tela inicial. Versões mais recentes podem ter mais velocidade, Internet melhor e luz para auxiliar a leitura. Mesmo as versões com luz são muito diferentes dos Ipads, a luz vem da lateral da tela e, de fora, iluminam o texto, não é uma luz que vem de trás da tela em direção ao seu olho.

Página inicial com os livros lidos mais recentes

Página inicial com os livros lidos mais recentes

Realmente, no Kobo Touch a Internet não é muito boa, nem a velocidade do touch, não se compara a um smartphone, por exemplo. Inclusive, ao usar a Internet para navegar no Facebook, já consegui travar o Kobo. Não recomendo que ele seja intensamente utilizado para esses fins. Mas vamos lembrar que ele é um aparelho de leitura, não foi feito para ser um tablet.

Quanto a qualidade do touch, não é excelente e é bastante lenta, mas só uso o touch para trocar de página e fazer pequenas anotações, não preciso de mais sensibilidade ou qualidade. Isso é bem legal do e-reader, enquanto leio posso fazer algumas interações com o texto. Posso sublinhar trechos que achei importantes, marcar páginas, fazer anotações ou procurar palavras que não conheço no dicionário interno que é grátis e já vem pré-instalado (só é preciso escolher as línguas que você deseja e baixar). É possível também mudar a formatação do texto, trocar a fonte, aumentar ou diminuir o tamanho da letra e das margens, modificar o contraste e outras pequenas mudanças que tornam a leitura mais confortável.

Lista da minha biblioteca. Dá pra organizar em estantes também e agrupar os livros por assunto, nacionalidade, tipo, etc.

Lista da minha biblioteca. Dá pra organizar em estantes também e agrupar os livros por assunto, nacionalidade, tipo, etc.

Como eu disse, existem diversos e-readers no mercado (principalmente internacional) e a maioria deles usa o formato de texto Epub. É o formato de e-book mais usado, na verdade conheço apenas o Kindle que usa formato diferente. Por esse ser o formato mais usado, é também o mais fácil de encontrar, mas como o Kindle não usa, não é possível adquirir livros na Amazon. O Kobo tem aproximadamente 3GB de capacidade e cada e-book varia muito, alguns tem 100KB, outros 600kb. Tenho alguns arquivos de obras completas (como obras completas do Freud, de José de Alencar, Machado de Assis) que podem chegar a 5MB. Cabem muitos livros no Kobo, você não vai sentir falta de espaço. A bateria dele dura bastante também, como ele só gasta bateria para mudar de tela, mesmo você lendo todos os dias pode ficar umas duas semanas sem carregar.

Embora o formato preferencial de leitura seja o Epub, o Kobo lê PDF também. O problema do PDF é: ele acaba sendo interpretado como imagem. Então não é possível mudar a formatação do texto ou sublinhar pedaços. Então, em geral, as letras ficam muito pequenas e é bastante difícil de ler. Existem programas que passam de PDF para Epub, mas muitas vezes o arquivo perde a formatação. Dá pra aumentar letras, marcar o texto, etc, mas muitas vezes cada linha fica constando como um parágrafo, como se copiássemos um PDF para o word.

trecho marcado.

trecho marcado.

Eu não sou uma grande leitora de quadrinhos, mas também não recomendo o Kobo se você quiser ler HQ. Por ser preto e branco já perde bastante para os quadrinhos coloridos, além disso, mesmo em Epub eles são interpretados como imagem, então não é possível fazer nenhuma modificação nem marcação no texto. Mais uma vez, as letras ficam muito pequenas, dificultando bastante a leitura.

Amo demais o Kobo e acho muito prático, principalmente para viagens, ao invés de levar vários livros pesados, levo apenas o e-reader. Recomendo demais se você é uma pessoa que gosta de ler e gosta sempre de carregar um livro contigo. Se você está em busca de algo para ler, mas que também te possibilite usar a Internet, melhor comprar um tablet mesmo.

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Espero que tenham gostado, penso em fazer, futuramente, um post comparando o Kobo e o Kindle. Não esqueçam de me seguir no Istagram (@juliakubrusly) e curtir a página do blog no Facebook.

Beijos

Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu

Oi gente,

Hoje quero falar de um livro, o livro começado com ‘m’ do mês de Março, Morangos Mofados do Caio Fernando Abreu. O Caio foi um escritor que começou a ficar muito famoso de uns anos pra cá, principalmente com citações na Internet, citações que nem sempre são dele de verdade. Eu já tinha lido contos isolados dele, mas essa foi a primeira vez que li um livro inteiro.

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Morangos Mofados (133 páginas) é um livro de contos, então não tem uma história que atravessa todo o volume. Mas existe um tema comum que atravessa os contos, todos tratam de seres humanos, mais especificamente do interior das pessoas. O monólogo e os diálogos reflexivos são muito comuns. As relações humanas, seja com outro ou consigo mesmo, atravessam todo o Morangos Mofados.

Caio é um escritor que tem muito de Clarice Lispector, ele mesmo afirma sua admiração pela escritora diversas vezes. O objeto de estudo (seres humanos) é o mesmo e a abordagem dele lembra bastante a dela. Os pensamentos e reflexões são muito valorizados no texto que, muitas vezes, se apresenta como fluxo de ideias, com frases que se interrompem e poucos sinais de pontuação.

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Não posso dizer que seja um livro fácil, ele exige um leitor um pouco mais experiente e mais disposto a tentar realmente compreender o texto, não é um texto óbvio. Para aqueles que são fãs de Clarice, acho que a leitura de Morangos Mofados será mais simples e bastante prazerosa.

Reconheço a importância literária de Clarice, mas não posso dizer que está entre minhas escritoras preferidas. E algo semelhante aconteceu com Caio. Gostei do livro, mas achei as temáticas repetitivas e o texto mais truncado não é meu preferido. Alguns contos eu gostei bastante, mas não posso dizer que foi um livro que gostei de fato na totalidade.

Não posso deixar de destacar o fator político explícito de seu livro. Claro que ele não fala de eleições ou partidos, mas a temática gay está presente na maioria dos seus contos. Se é um tema ainda bastante polêmico hoje, imagina nos anos 80 (o livro foi lançado em 1982). Quero destacar também que é um livro forte, com cenas fortes, tanto de sexo, quanto de violência.

Recomendo a leitura sim, para aqueles que gostam do estilo ou para quem quer conhecer Caio Fernando Abreu. Vocês já leram algum livro dele? O que acharam?

Beijos

Livro: Fronteiras do universo – Philip Pullman

Oi gente,

Início de Março e vou falar de mais um livro. Já falei pra vocês (link) que estou participando de uma tag de leitura, a meses X livros. Cada mês devo escolher um livro que o título comece com a letra do mês. Começou Fevereiro e fui olhar meus livros começados com F. Não eram muitos e acabei me decidindo por A faca sutil. O problema, esse livro fazia parte de uma trilogia e era bem o segundo livro, não daria para ler somente ele. A solução, a trilogia chama Fronteiras do universo, então esse mês não teremos só um livro com F, mas toda uma trilogia.

A trilogia foi escrita por Philip Pullman e os livros se chamam A bússola de ouro, A faca sutil e A luneta âmbar. O primeiro volume é o mais famoso, existe também um filme sobre ele, mas confesso que não gostei do filme não. Todos os livros são bem grandes e o filme acaba ficando muito corrido e mal explicado, achei bem confuso e, se não tivesse lido o livro, não teria entendido diversas partes.

A bússola de ouro

A bússola de ouro

Bom, mas vamos aos livros. O primeiro, A bússola de ouro, 305 páginas se passa em um mundo diferente do nosso. Existem muitas semelhanças, mas algumas diferenças bem grandes. Bom, ele conta a história de uma criança, uma menina, Lyra. Lyra é uma menina órfã que vive em uma universidade em Londres e adora brincar com as outras crianças que moram por ali. Ela é ótima em fazer amizades e também em liderar o bando de amigos nas travessuras. Seu melhor amigo, Roger, também mora na universidade e trabalha na cozinha.

Certo dia ela se esconde na sala do reitor e descobre diversas coisas que ela não deveria saber, como a existência de um misterioso pó. Ela percebe que esse assunto interessa aos catedráticos de sua universidade, que esse pó é algo importante. Ao mesmo tempo, tem-se notícia de que crianças estão sumindo, sendo capturadas por papões, mas não se sabe por quê.

Lyra quer descobrir mais sobre o pó e viajar para o norte. Então aparece na universidade uma mulher, a sra. Coulter, e Lyra sai da universidade para estudar com ela e viajar para o norte. Antes de sair da Universidade Roger, seu amigo, desaparece e ela recebe do reitor um estranho objeto, o aletômetro, que é capaz de dizer a verdade.

Depois de algum tempo ela descobre que a sra. Coulter não é bem quem ela tinha pensado e foge. A partir daí, começa uma enorme aventura rumo ao norte e ao resgate de Roger e as outras crianças.

Esse primeiro livro é muito dinâmico, uma ação se segue a outra e não temos muito tempo para descansar. Foi um livro que me prendeu completamente e eu li bastante rápido, embora ele seja grande. Sempre existe um suspense e é bem difícil não ficar curioso com o que vem em seguida. Lyra tem uma personalidade bem forte e foi bem rápido pra eu gostar dela. O livro me envolvei muito e, assim que terminei, comecei o segundo.

A faca sutil

A faca sutil

A faca sutil, 247 páginas, começa quebrando um pouco com nossas expectativas, pois o primeiro personagem que aparece é Will, que ainda não conhecemos. Will vive também em Londres, mas não a Londres de Lyra, mas a nossa Londres. Ele vive com sua mãe, que tem problemas mentais e sai em busca do pai que está desaparecido. Logo no início ele, sem querer, acaba matando um homem e começa a ser procurado pela polícia. Então ele vê algo como uma janela no meio da rua e atravessa, dando de cara com um novo mundo. Nesse novo mundo ele encontra com Lyra.

Os dois decidem unir suas buscas, pelo pai de Will e pelo pó. O segundo livro se desenrola na busca de ambos e, nessa procura, passam por diversos mundos. Eles começam a perceber que há uma guerra se iniciando, uma grande guerra e Lyra é personagem importante nela.

Não achei que o segundo livro tem o mesmo fôlego do primeiro. Ainda há muita ação, mas em alguns momentos, principalmente nos trechos mais descritivos, fiquei um pouco cansada. Eu queria saber o que ia acontecer, mas não queria ler todo o desenrolar, queria chegar no final. Eu entendo que, como se trata de um mundo de fantasia, a descrição é necessária, mas às vezes se tornava cansativa. O segundo livro termina em um ponto de suspense muito grande e é bem difícil não correr para o último volume.

A luneta âmbar

A luneta âmbar

A luneta âmbar, 438 páginas, é o livro final. Lyra foi raptada e Will precisa encontrar com ela de novo, assim começa a busca desse livro. A grande guerra entre a Igreja, que quer acabar com o pó, e aqueles que querem libertar o mundo da religião está quase começando. Lyra tem um papel muito importante e, mesmo que ela não tenha escolhido um lado para lutar, esse lado foi escolhido por ela, já que a Igreja deseja sua morte.

Depois de reencontrar Will eles decidem seguir uma jornada perigosa e arriscada, vão ao mundo dos mortos. Lá fazem várias descobertas e depois seguem para o meio do conflito entre a Igreja e Lorde Asriel, que quer destruir o poder da Autoridade.

O último livro também me envolveu bastante, é difícil depois de passar tanto tempo e tantas aventuras com os personagens não querer saber o que vai acontecer. A viagem dos dois ao mundo dos mortos e as soluções que encontram para os problemas são ótimas. O semifinal (que vem logo antes do final) é bem previsível, mas o fim de fato quebra com essa previsibilidade. Confesso que fiquei um pouco decepcionada, mas porque eu prefiro os clichês.

Eu gostei muito da trilogia Fronteiras do universo e recomendo bastante a leitura. É um livro que critica bastante a religião, seu modo de agir e de lidar coma ciência e a verdade. Mesmo camuflado de história de fantasia, muitas das reflexões podem ser trazidas para a nossa realidade.

Existem mais dois livros ligados à série, mas ainda não li. Parece também que o autor ainda está trabalhando em um novo livro, que trataria sobre como foi escrever Fronteiras do universo, mas não há data de lançamento.

Já conheciam esse livro?

Beijos

Livro: Jazz – Luis Fernando Verissimo

Oi gente,

Primeiro post sobre livro! Em Janeiro vi uma tag literária no blog Borboletas na carteira, meses x livros. A ideia é ler um livro por mês que o título seja a inicial do mês, ou seja, em Janeiro, ler um livro com J, em Fevereiro, um livro com F, e assim por diante. Não quero dar certeza que vou participar dessa tag em todos os meses, pode ter mês que eu não tenha nenhum livro com a inicial ou que não goste do livro e prefira não postar no blog. Mas vamos ao livro de Janeiro. Escolhi meu livro e comecei a ler, mas não estava gostando, vi que não conseguiria terminar a tempo e decidi começar outro, Jazz, do Luis Fernando Verissimo, que mostro pra vocês hoje.

Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo autor, leio desde pequena e adoro as crônicas e romances. Esse livro eu tenho no Kobo, meu e-reader. É um livro bem curtinho e muito rápido de ler. Um livro de crônicas, como a maioria dos livros dele e, obviamente, o que as crônicas têm em comum é o tema, o jazz. O jazz, que dá nome ao livro, é um ritmo muito apreciado pelo autor.

Jazz - Luis Fernando Verissimo

As crônicas mostram vivências de Luis Fernando e sua relação com o jazz em vários momentos de sua vida, tanto no Brasil, quanto no exterior, e também histórias de grandes personalidades desse estilo musical. Aparecem também músicos de outros estilos musicais, sempre dialogando com artistas do jazz. No meio de informações e histórias do jazz, o autor trata também do racismo, da relação entre brancos, negros e a música, provocando nossa reflexão, mas sempre de uma maneira leve e divertida. Eu adoro o jeito bem humorado com que ele escreve e nesse livro não é diferente.

Bom, o assunto é o jazz e meu conhecimento de jazz é praticamente nulo. Não conheço os grandes nomes, por isso, muitas vezes não fazia ideia de quem ele estava falando. Mesmo minha ignorância não prejudicando o entendimento, com certeza eu teria aproveitado melhor o livro e as crônicas se conhecesse os personagens.

Se você gosta do Luis Fernando, recomendo o livro. Se você, além de gostar dele, gosta de jazz e conhece os músicos, recomendo mais ainda, com certeza a leitura vai ser ótima.

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Beijos