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Arquivo da categoria: Livros

Livro: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Oi gente,

Faz tempo que eu não faço post sobre livro, né? Tinha um tempo que eu não lia um que eu achasse que valia post. Hoje vou falar sobre o livro Americanah  (520 páginas) da Chimamanda Ngozi Adichie.

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Bom, o livro conta a história de uma jovem nigeriana, Ifemelu e, embora o livro seja narrado em terceira pessoa o ponto de vista é todo dela (quase, na verdade). O livro não é linear, sua narrativa começa no meio da história e, através de flashes back vai contando o passado dessa jovem até que passado e presente se encontram e seguem, narrando o futuro. Eu gosto muito desse tipo de narrativa, dá uma dinâmica diferente e traz um interesse a mais.

Bom, Ifemelu morava na Nigéria junto com sua família e lá começa a namorar Obinze, ainda durante o colégio. Eles começam a fazer faculdade juntos, mas o país enfrenta um momento muito difícil, uma ditadura militar, e quem tem condições se muda, deixa a Nigéria. A faculdade deles começa a enfrentar greve atrás de greve e Ifemelu, que tem a oportunidade de se mudar para os Estados Unidos, deixa o país, a família e Obinze.

Ela passa treze anos nos Estados Unidos e muita coisa muda nesse tempo. Ela, que inicialmente não podia ter um emprego legalmente e era babá de crianças (além de ter se submetido a outro trabalho bem pior), consegue a cidadania americana e cursa mestrado em Princeton, além de ter um blog de muito sucesso.

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A capa pela Companhia das Letras

É nos estados unidos que ela se percebe como negra e lá conhece as diversas faces do racismo. Ifemelu (ou Ifem, como as amigas chamam) amadurece muito nesse período, principalmente no que diz respeito às relações humanas. E é sobre isso que escreve no blog, sobre situações cotidianas, conversas que ouve ou pensamentos que tem. Sempre sob sua visão, a de uma negra não americana, ela relata algo e interage com os leitores nos comentários. Com o sucesso desse blog ela começa a ser chamada para dar palestras e até mesmo estudar em Princeton.

Após esses treze anos ela decide voltar para a Nigéria e aí tem uma nova dificuldade, se encontrar novamente no país que, ao mesmo tempo que é dela, está completamente mudado. Na verdade tanto ela mudou, como sua cidade, Lagos, e agora devem estabelecer uma nova ligação. Além disso há Obinze, com quem Ifem cortou o contato logo depois de ir aos EUA. Obinze também passou por momentos difíceis, tentou a vida em Londres, mas foi deportado como imigrante ilegal. Depois acabou conseguindo se tornar um homem próspero em Lagos. Encontrar-se novamente em Lagos e na história de Obinze, agora um homem casado com uma filha, é o novo desafio de Ifemelu.

Não é apenas a história da vida e amores de Ifem, mas uma história política e social muito forte. Aborda as dificuldades de ser uma mulher não americana negra nos Estados Unidos e todas as vivências que isso acarreta. Podemos ver algumas passagens de seus posts no blog e aprender muito sobre essa realidade que é bastante difícil. Além do ponto de vista dela, conhecemos também a história de Obinze na Inglaterra, com muitas dificuldades, vivendo de subempregos e favores de amigos até sua deportação.

Não é uma história de amor, quer dizer, claro que é, mas é muito além disso, se você quer ler apenas um enredo amoroso, escolha outro livro. Também não acho que é o livro ideal para quem fala de racismo inverso e vitimização dos negros. Na verdade talvez seja, talvez seja exatamente o que você está precisando ler, mas se você quiser conhecer uma outra visão e ver a realidade do imigrante negro africano, se for manter a cabeça fechada de não existe racismo, acho que não vai gostar.

A autora

A autora, Chimamanda Ngozi Adichie.

Eu gostei demais, tem uma questão política bem forte que me interessa, um enredo bom e me apeguei bastante aos personagens (o que é essencial pra que eu goste de um livro). Quero procurar outros livros da autora, que é nigeriana, para ler.

Vocês já leram ou ouviram falar desse livro?

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Beijos

Livro de fotografia

Oi gente,

Já faz algum tempo que eu acompanho um blog de fotografia, o Dicas de fotografia.

capa cr ddf

Não é um blog com muitas postagens nem nada, mas eu fucei tanto pelos posts que acho que acabei lendo o blog todo. Gosto bastante das fotos da Cláudia e também do modo como ela explica e fala de fotografia. Não é esnobe, nunca fala que temos que ter milhões de equipamentos nem nada.

Bom, desde que conheci o blog as postagens eram bem raras, mas eu sempre acabava voltando em uma ou outra pra tirar dúvidas. O tipo de foto que ela mais gosta é retrato em preto e branco e eu gosto mesmo é de paisagens bem coloridas, mas mesmo assim aprendi bastante coisa.

Foto do céu, aprendi a tirar no Dicas de fotografia.

Foto do céu, aprendi a tirar no Dicas de fotografia.

Bom, esses dias ela anunciou numa postagem que ia parar de atualizar o blog e também parar de fotografar. Embora ela postasse bem pouco, eu fiquei triste. Mas em compensação ela nos deixou um livro. Parece que era pra sair um livro de papel mesmo, mas houve alguns problemas  com a editora ou algo assim e ela acabou lançando um e-book.

O e-book é gratuito e vocês podem baixar pra ler. Dá pra colocar no computador, tablet, e-reader ou mesmo celular e levar ele com você para tirar dúvidas fotográficas. O livro é bem completo, começa com coisas mais simples (como ensinando o modo manual) e ensina também técnicas para trabalhos específicos, flash e coisas mais avançadas. Ela inclusive recomenda duas leituras se você for iniciante, primeiro leia o início e aprenda a mexer no modo manual, depois faça uma outra leitura mais focada e aprendendo novas coisas na parte mais avançada.

ISO 100, 10mm, f/13, 4seg foto por claudia regina Diafragma fechado, luzes viram estrelas. Nunca consegui fazer uma dessas, mas sigo tentando

ISO 100, 10mm, f/13, 4seg
foto por claudia regina
Diafragma fechado, luzes viram estrelas. Nunca consegui fazer uma dessas, mas sigo tentando

Se você gostar do trabalho e quiser colaborar dá pra depositar qualquer valor como agradecimento pelo livro, mas se preferir ler apenas gratuitamente não tem problema também. O livro têm algumas ilustrações que facilitam bastante também o entendimento. Pra baixar tem que entrar blog, cadastrar e-mail, confirmar e aí só baixar. O arquivo vem zipado em PDF. Clica aqui pra ir direto pro post do livro e baixar o seu.

Não estou recebendo nada pra mostrar o livro pra vocês, mas achei que poderia ser uma dica legal pra quem quer aprender a tirar fotografias melhores.

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Beijos

Tag: Matérias literárias

Oi gente,

Hoje vim responder uma tag que o Eurico Gomes me indicou. Já faz um tempinho que ele indicou, demorei, mas finalmente vou responder, Brigada, Eurico. É uma tag literária que relaciona livros à matérias escolares. Que eu gosto muito de livros, vocês já sabem, mas principalmente (quase exclusivamente) de livros de literatura, então pra algumas matérias eu acabei dando uma pequena roubadinha.

dom casmurro e sherlock

Matemática: um livro que a maioria critica

Achei esse conceito da maioria criticar bem complicado de seguir, principalmente porque eu sou formada em letras, então convivo muito com dois grupos bem diferentes, aquele das pessoas que não são do mundo acadêmico e muitas não gostam daqueles livros mais clássicos, do tipo obrigatório na escola (e eu adoro vários) e o grupo de colegas e professores que vai criticar quase qualquer best seller da vida (e eu adoro muitos). Resolvi então falar de dois livros, Dom casmurro, do Machado de Assis (minha edição é junto com O alienista, mas tô indicando o outro) que foi o primeiro livro do autor que eu li e, de cara, já gostei muito (hoje em dia gosto mais do Memórias póstumas de Brás Cubas, mas acho Dom casmurro mais fácil de gostar). O outro é Um estudo em vermelho do Conan Doyle, é o primeiro livro do Sherlock Holmes e é ótimo pra conhecer o personagem.

fausto

Português: um livro com a escrita difícil de ser lida

Ano passado eu li Fausto, do Goethe. Digo que li, pois decodifiquei todas as palavras, do início ao fim, mas entender mesmo, não consegui entender. Depois descobri que minha versão é um pouco antiga, do século XI e isso com certeza torna a linguagem mais difícil. Embora tenha entendido pouquíssimo, gostei bastante do livro e planejo reler em uma tradução mais amigável.

solo de clarineta

História: um livro que conte a história real de alguém ou de algum lugar

Essa coisa de história real é bem engraçada, quando eu leio um livro a última coisa que me preocupo é se a história é real. Eu gosto de personagens, de me envolver com eles e suas histórias, é isso que me fascina na literatura. Se a história é fascinante pra mim, pouco importa se aconteceu de verdade ou não. Eu não sou super fã de biografias (que eu acho que se encaixariam perfeitamente), mas tem um livro de memórias que eu gosto muito e é ele que vou indicar, Solo de clarineta do Erico Verissimo. Eu gosto demais do Erico, da forma como ele escreve, tanto que achei fascinante até o livro de memórias. Ele tem também alguns livros de viagens, mas ainda não li nenhum.

fronteiras do universo

Biologia: um livro que tenha animais

Procurei bastante e não encontrei nenhum livro em que os animais sejam protagonistas, mas tem toda a série de Fronteiras do universo em que os ursos de armadura são super importantes. Iorek Byrnison, rei dos ursos, se torna amigo de Lyra, a protagonista, e a ajuda em diversos momentos.

Roverandom

Física/ Química: um livro que leu e não lembra quase nada

Eu tenho uma memória ótima pra muitas coisas, mas certamente não para me lembrar de enredos. Sejam filmes, sejam livros, sempre me esqueço do que acontece ou de como termina. Por isso acho que gosto tanto de releituras e minha lista só cresce. Um dos livros que li há alguns anos, lembro que gostei, mas não lembro de nada (ou quase) é Roverandom do Tolkien. Quero muito reler.

o dia do curinga 2

Geografia: um livro em que a história se passe em um país/ cidade pouco conhecida

Tive bastante dificuldade com essa pergunta, ou eu não me lembro onde o livro se passa, ou é em algum lugar conhecido ou imaginário. Acabei escolhendo O dia do curinga  do Jostein Gaarder (autor do Mundo de Sofia) que se passa em uma viagem. Ok, a viagem é pela Europa que é um lugar bem conhecido, mas os personagens são da Noruega (e estão viajando de carro até a Grécia) e eu pelo menos não sei nada sobre a Noruega. Muito do livro se passa em uma cidade chamada Dorf, mas não consegui descobrir se é uma cidade real ou não. Mais um livro para entrar na lista de releituras.

brumas

Inglês: um livro que se passe nos EUA ou algum país que fale a língua

As brumas de Avalon de Marion zimmer Bradley conta a história do rei Arthur, uma lenda britânica.

oteov

Artes: um livro que envolva artes/ cultura em geral

Eu não tenho um livro sobre artes pra indicar, mas sim que envolve algumas das artes, mais especificamente, a literatura. O tempo e o vento do Erico Verissimo (sim, de novo). Não vou dizer que o livro seja sobre literatura simplesmente, pois seria mentira, mas ele acontece no processo de escrita de Floriano Cambará. Existem muitas reflexões do escritor sobre a própria escrita e também sobre seu povo e sua cultura. Não é um livro que apenas retrata a cultura gaúcha, mas ele problematiza os valores e a sociedade. É um livro que eu gosto demais (não foi atoa que passei dois anos estudando sobre ele), mas sei que a leitura não é tão simples. Embora seja muito agradável e fácil de entender, ele tem três partes lançadas em sete volumes, não é leitura de um fim de semana. É um livro maravilhoso que vale a pena ser lido, mesmo que demore. Por favor não se deixe enganar por mini séries ou filmes da Globo, eles se propõem a contar apenas o terço inicial do livro e, mesmo assim, deixam muito a desejar, leia o livro.

metamorfose

Educação física: um livro sobre esportes ou aparência física

Mais uma vez eu não vou ter nenhum livro mais técnico pra indicar, que realmente trate de esportes ou de estética, indico A metamorfose, do Kafka. Tudo acontece quando Gregor Samsa, uma pessoa totalmente normal, acorda um dia transformado em um inseto medonho. O seu interior não se modifica, ele ainda é a mesma pessoa, mas sua aparência não é mais humana. Claro que o livro vai muito além disso e essa questão é uma metáfora para problemas da sociedade, afinal, a transformação não é realista, ninguém dorme ser humano e acorda inseto. Esse é mais um livro pra minha lista de releituras, gostei demais e fiquei encantada com ele na minha primeira leitura, está na hora de reler.

Espero que tenham gostado da Tag e das indicações. Sintam-se todos a vontade para responder, se responderem, me avisem nos comentários. Me sigam no Instagram e curtam a página do Facebook. Para receber os posts no seu e-mail, sigam o blog.

Beijos

Livro: As brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley

Oi gente,

Hoje quero falar um pouco de um livro, na verdade uma série de livros que eu terminei de ler, na verdade reler, há alguns dias.

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Dá pra ver que os livros são bem antigos. O primeiro veio sem essa capa de papel protegendo o couro aí minha mãe fez uma para mim.

Acho que essa foi a terceira vez que li essa série. Minha mãe, há muitos anos atrás, encontrou esses quatro livro em um sebo e comprou pra mim. Eu nunca tinha ouvido falar de As brumas de Avalon e não gostei da capa, enrolei séculos pra ler até que tomei coragem. E aí foi só amor.

Acho que quase todo mundo sabe que esse livro conta a história do rei Arthur e todas aquelas lendas, mas é bem diferente da maioria. A história é narrada a partir de pontos de vista femininos. Ela não é em primeira pessoa nem nada, mas o foco principal é nas mulheres. A personagem principal desse livro é a Morgana, irmã de Arthur, mas ela não é a única mulher que fica em foco durante o livro.

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Um ponto de vista diferente sempre vai gerar uma história diferente, então é muito interessante ver a mesma história por outro lado. Claro que, por ser diferente do que já conhecemos, pode causar certo estranhamento, mas acho legal dar uma chance para esse livro que, ao invés de ir aos campos de batalha com os homens, espera pacientemente, fiando, tecendo, cuidando da casa com as mulheres.

Claro que os homens são também muito importantes no romance, o mundo medieval, muito mais do que hoje, era totalmente governado e comandado por homens. Por isso mesmo, ainda mais interessante o foco nas mulheres num momento histórico que sua importância era considerada tão pequena.

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O foco principal não é nas guerras contra os saxões, mas na força cada vez maior da Igreja Católica. Inicialmente as crenças pagãs ainda têm muita força, os rituais são celebrados e os ensinamentos passados de geração em geração. Mas aos poucos os padres vão ganhando força e, não apenas conseguindo mais fiéis através de suas palavras, mas também proibindo rituais antigos e taxando tudo que é diferente de bruxaria.

Morgana, iniciada sacerdotisa da Deusa, vê o mundo em que acredita cair e deixar de existir. E luta contra isso, não contra a Igreja de fato, mas contra o esquecimento de sua gente, a proibição de seus ritos e profanação do que considera sagrado. Vemos seus questionamentos e as transformações que enfrenta ao longo da sua vida.

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Por não ser a história tradicional do rei Arthur haverá muitos pontos que estão em desacordo com a lenda que já conhecemos. Mas assim são as histórias quando contadas de diferentes pontos de vista, se tornam, muitas vezes, narrativas completamente diversas, por vezes irreconhecíveis. Não há a verdade ou a mentira, afinal, é uma lenda, mas eu realmente me identifico e gosto muito mais dessa versão.

Já leram esse livro? Deixem suas opiniões nos comentários. Pra me acompanhar fora do blog, me sigam no Instagram e curtam a página do Facebook. Se quiser receber os posts no seu e-mail, segue o blog.

Beijos

Refletindo: meses x livros

Oi gente,

Normalidade instalada, desde sexta já estou com Internet e a partir de hoje também com wifi. Hoje quero fazer um post diferente sobre leitura, uma reflexão, na verdade.

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Desde criança eu adoro ler, quando eu era pequena minha mãe reclamava que os livros não duravam nada, mal ela me dava, eles já estavam lidos (mas ela nunca me negava comprar um livro novo). Na escola eu era sempre aquela que lia o livro e contava a história pros amigos que não tinham lido, sorteios de livro sempre me deixavam extremamente ansiosa, livro sempre foi um ótimo presente para mim.

E esse foi um dos motivos principais de eu ir fazer letras, eu não tinha o sonho de uma profissão, mas amava literatura e, certamente, seria muito agradável ter como dever de casa ler um livro. E sempre continuei lendo livros da minha escolha além daqueles pedidos pelos professores (e muitas vezes meus deveres de casa não eram apenas ler literatura).

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Mas ano passado foi um ano muito diferente, não sentia vontade de ler. Eu não sei exatamente porque isso aconteceu, chutaria que foi como uma grande e longa ressaca, já que os dois anos anteriores, 2012 e 2013 foram anos de leitura muito intensa e tive muito pouco tempo para realmente ler o que eu gostaria. Quando eu percebi que algo que sempre foi um prazer para mim, de repente se tornou algo chato que eu não tinha mais vontade de fazer, me senti muito triste.

Não vou dizer que não li quase nada ano passado, provavelmente li muito mais livros do que a maioria das pessoas, mas eu sentia a falta de vontade e o intervalo enorme entre um livro e o próximo. Como era uma coisa que não me despertava mais o interesse eu podia ter apenas largado de lado, mas queria voltar a sentir o prazer que eu sentia antes.

Por isso comecei a me esforçar, separar diariamente 1h para leitura. Nem sempre dava certo, muitos dias eu acabava deixando essa hora para lá, mas em outros dias funcionava. E aí esse ano comecei a participar do desafio literário que já contei pra vocês, o meses x livros. No início ele era realmente muito bom, me estimulava a correr atrás de um livro e ler inteiro antes do próximo mês pra poder postar aqui, mas foi mês passado que comecei a ver nesse desafio mais um problema do que uma ajuda. De repente eu tinha de volta uma lista (mental) de livros para ler e parar para procurar um livro com aquela inicial e colocar na frente das minhas prioridades não estava mais sendo prazeroso.

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Por isso, ao fim do mês de Junho não teremos um livro com J iniciando o título, por isso não seguirei mais o meses x livros. Foi uma tag muito legal que me ajudou muito nesse primeiro semestre de 2015, me ajudou mesmo, mas já cumpriu seu trabalho. Prometo que as resenhas de livros não vão parar e estarei sempre atualizando por aqui minhas leituras ou releituras, mas agora elas seguirão apenas minha vontade.

Se tiver algum livro pra me recomendar, deixa nos comentários. Pra me acompanhar, segue no Instagram e a página no Facebook. Quer receber um e-mail sempre que tiver post novo? Segue o blog.

Beijos

Aplicativo: Calibre

Oi gente,

Já falei por aqui do Kobo e como gosto dele. Além de ser muito mais confortável do que ler no computador, ele é bem pequeno e portátil (vantagem que não serve se você tem um tablet).

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Então eu não uso o Kobo apenas para ler livros, mas também para outros textos. O problema da maioria dos textos (e também de alguns livros que conseguimos baixar na Internet) é: não estão em Epub. A maior parte dos textos que pego na Internet estão em PDF e o problema desse formato é que o Kobo interpreta cada página, não como texto, mas como imagem. Em imagem não é possível aumentar a letra, marcar trechos ou fazer comentários.

Por isso, assim que comprei o Kobo, baixei, gratuitamente, o programa Calibre. O Calibre tem basicamente duas funções, converter arquivos e ler Epub. Sim, ele funciona como um leitor de ebook no seu computador. Eu confesso que muitas vezes, pela praticidade, leio livros no computador, ou então inicio a leitura, depois passo pro Kobo e termino por lá. Pois bem, então o calibre te permite abrir os arquivos em Epub no computador. Mas, além disso, ele é também um conversor.

Então é possível abrir um arquivo em PDF e converter para Epub. Pronto, o arquivo terá o formato perfeito para ser lido pelo seu Kobo. Além do PDF e do Epub, o Calibre trabalha com diversos outros formatos, como o Mobi (formato do Kindle), e outros que, a maioria, eu desconheço (AZW3, FB2, HTMLZ, LIT, LRF, PDB, PMLZ, RB, RTF, SNB, TCR, TXT, TXTZ, ZIP). O processo é bem simples e não demora muito.

Pra saber como converter, só seguir as fotos e ler as legendas, clica que a foto aumenta.

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Primeira coisa a fazer, abrir o calibre e adicionar o livro que quer converter.

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Depois de escolher o arquivo a ser convertido espera alguns momentos para ele abrir e clica em converter.

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Aí vai abrir uma janela e lá você pode configurar algumas coisas, navegue pelas abas para escolher o que quer fazer. O mais importante é definir o formato para o qual o arquivo vai ser convertido. Eu sempre coloco também o nome do autor e do livro (nem sempre vem correto) e aproveito para adicionar uma capa (costumo buscar a imagem da capa no Google mesmo) e aperta ok.

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Aí ele vai voltar para a tela anterior e vai aparecer o número de tarefas a serem executadas, quando esse número voltar a zero, todos os seus livros estão convertidos. Só falta salvar. Vai em salvar no disco e escolhe a pasta onde seu novo arquivo deve ficar.

Ele vai salvar uma pasta com o arquivo original (no caso PDF), a imagem da capa que eu usei, o novo arquivo em Epub e um arquivo em OPF que não sei do que se trata. Eu fico apenas com o Epub e jogo o resto fora.

Como eu disse no outro post, livros convertidos não ficam idênticos aos já feitos em Epub, a cada quebra de linha do PDF teremos um novo parágrafo no Epub. É possível mexer nisso no Calibre, mas aí perdemos também os parágrafos e o livro será um texto único, eu prefiro não mexer.

Com o Calibre posso ler qualquer texto que está em PDF no Kobo, isso facilita muito a minha vida.

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Beijos

Mil rosas roubadas – Silviano Santiago

Oi gente,

Estamos em Junho, hora de falar do livro de Maio do meses X livros. Não sabe do que se trata? Olha aqui. O livro do mês passado foi o Mil rosas roubadas, do Silviano Santiago (276 páginas).

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O livro se inicia em um hospital com dois personagens, o narrador e seu amigo, Zeca, que está a beira da morte. Morre Zeca e o narrador não pode acreditar naquilo, além de perder seu amigo mais querido, perdeu também seu biógrafo. Sim, ele tinha a ideia de que Zeca seria o último a morrer e escreveria sua biografia. Como isso já não é mais possível, ele decide, então, escrever a biografia de Zeca. E essa é a história do livro, não a biografia de Zeca, mas o narrador biografando Zeca.

Além de amigo de Zeca, o narrador é também professor universitário e historiador e, realmente, vemos muitas marcas históricas durante a leitura. Ambos passaram a infância e adolescência em Belo Horizonte, então a cidade é descrita, o trajetos das ruas, as casas e as pessoas. Pessoas são pesquisadas e relações feitas, realmente estamos diante de um professor de história. Embora se comprometa em fazer a biografia do amigo, Mil rosas roubadas em nada se assemelha a outras biografias. Ela não só não segue uma ordem cronológica, como também não é realmente centrada na figura do Zeca. Para mim, aquela frase do Freud “Quando Pedro fala de Paulo mais sei de Pedro do que de Paulo” nunca me pareceu mais correta. Pelo menos nesse caso, ao falar de Zeca, o narrador acaba revelando muito mais sobre si mesmo. Na verdade não é que, ao falar do Zeca, revele sobre si mesmo, quer dizer, é também, mas é mais que Zeca não é o ponto central da trama, o ponto central é ele mesmo.

Zeca aparece muito, mas porque foi muito presente na vida do narrador. E não são apenas fatos narrados, mas toda a leitura é entrecortada por fatos históricos, reflexões do narrador e em muitos momentos esse narrador se dirige diretamente ao leitor. Confessa, inclusive, sua prolixidade. Sabe que não está indo direto ao ponto, tenta voltar ao assunto principal, mas acaba por se perder novamente. E assim é o livro, o narrador fala de Zeca e de si mesmo. E, por falar de si mesmo, fala mais do Zeca. Trata bastante da relação entre eles.

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Se conhecem em Belo Horizonte em um ponto de ônibus e ao fim da vida estão ambos no Rio de Janeiro. Um, professor universitário, funcionário público com estabilidade. Outro, artista. São dois homens, dois amigos muito diferentes que aprendem a conviver um com o outro. Mais do que aprendem, bem mais. Ambos homossexuais e descobrindo sua sexualidade, mas sem nunca se configurarem em um casal.

Mil rosas roubadas é uma mistura de biografia, ficção e ensaio e Zeca é Ezequiel Neves, amigo falecido de Silviano Santiago. Embora seja baseado em uma história real, uma amizade real, vidas reais e muitos personagens que aparecem são também reais, há muito de ficcional. Para começar a narrativa sai da memória do narrador e não podemos confiar na memória como sendo factual, principalmente quando falamos de contar algo em detalhes. Segundo há fatos deliberadamente fictícios, como o fato do narrador ser um historiador. Silviano é professor sim, mas de literatura.

Bom, confesso que tive dificuldade com esse livro, a leitura foi arrastada. No início eu estava gostando, mas não era algo que me prendesse, então tinha dificuldade de ler por muitas horas ou retomar a leitura no dia seguinte. Eu lia o livro, via todas aquelas voltas do narrador e estava esperando realmente a história começar, a narrativa, a biografia. Depois de algumas páginas eu desisti de esperar, aceitei que o livro seria assim, uma longa digressão, até o fim. Eu não tenho nada contra digressões, eu sou uma pessoa muito prolixa (só ver o tamanho dos posts do blog), mas a digressão dele não foi interessante para mim. Foi um livro difícil e tenho certeza que não captei nem metade de seu conteúdo, pois muitas vezes passava páginas e páginas sem de fato prestar atenção. E em momento nenhum me interessei em voltar. Acho que terminei o livro apenas por ele ser o livro do mês de Maio.

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Inclusive isso me fez refletir, quero continuar com o projeto sim (o meses X livros), mas não vou segui-lo todos os meses, vou buscar um livro que eu realmente queira ler com a letra do mês, se não encontrar, vou colocar outro no lugar. Não tenho nem ideia, por exemplo, de dois livros com a letra J para Junho e Julho. Falando da prolixidade do narrador, meu post já está enorme. No fim das contas realmente não gostei do livro.

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Beijos

Livro: Admirável mundo novo – Aldous Huxley

Publicado em

Oi gente,

Mês novo começando com um feriadinho prolongado, nada melhor do que uma indicação de livro, certo? E, pela primeira vez, vou mostrar um livro físico, de papel, que não está no Kobo.

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Abril trouxe Admirável mundo novo, do Aldous Huxley. É um livro de 1932, uma ficção científica, ou distopia, como está na moda chamar agora. Não sei exatamente em que ano o livro se passa, mas podemos perceber que são muitos anos no futuro.

Nesse futuro temos uma sociedade separadas em castas, não temos mais Deus e quem ocupa seu lugar é Ford. Então há um novo calendário e os anos são contados a partir dele (ano 650 depois de Ford, por exemplo). Seu nome é usado também em exclamações e interjeições e existe também um sistema bem complexo de reprodução humana. As pessoas não nascem mais por vias normais, tudo é feito em laboratórios e tubos de ensaio e, desde o início, as pessoas são condicionadas a determinada casta. Toda a educação é voltada para que as pessoas se encaixem na sociedade e em suas respectivas castas, então, a princípio, todos estão satisfeitos. Se há algum problema eles têm o soma, uma droga que todos tomam com frequência e acaba com todos os problemas. A organização da sociedade é muito baseada nisso, a harmonia entre as castas. Todos devem fazer aquilo que foi pré-determinado, sem questionamentos, sem novidades. O consumo de bens materiais é exagerado e as interações sociais também, ninguém deve fazer atividades solitárias. A monogamia também não deve ser encorajada, “cada um pertence a todos”, então não há ciúmes ou sensação de posse.

São diversos os ditados repetidos pelos personagens, esses ditados foram ensinados a todos desde o nascimento e regem a vida em sociedade. Ser questionador é um problema, e esse é o problema de Bernard, um alfa mais (a casta superior). Ele não consegue se encaixar na sociedade, é diferente fisicamente dos outros alfa mais, não gosta das atividades sociais que todos gostam, consome pouco soma e está sempre questionando os ditados e agindo diferente dos outros. Bernard acaba se apaixonando por Lenina, uma beta mais que, diferente dele, se encaixa perfeitamente na sociedade e nunca questiona nada.

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Certo dia Bernard e Lenina vão visitar uma reserva histórica, um local cercado e protegido onde pessoas vivem fora da sociedade idealizada. Seria algo comparado a uma reserva indígena, mas há uma separação muito maior entre as sociedades e os civilizados enxergam os selvagens quase como um zoológico, um campo de estudo. Bernard e Lenina vão visitar uma reserva e acabam encontrando Linda. Linda é uma civilizada que, há muitos anos, em uma visita, acabou se perdendo e ficando entre os selvagens. Ela está completamente mudada, inclusive teve um filho de modo natural, mas anseia loucamente por voltar à civilização.

A partir daí começam muitos problemas e questionamentos, não mais da parte de Bernard, mas de John, filho de Linda. Ele vai à civilização, mas tem uma visão muito diferente de tudo e há um choque enorme, ele não consegue compreender ou aceitar diversos costumes.

É um livro bom e bastante interessante, inclusive percebemos que, embora nossa sociedade não se pareça com a do livro, muitas das direções apontadas por Huxley são realmente seguidas atualmente, como o incentivo ao consumo, avanço de novas tecnologias, a busca pela juventude eterna, etc. Não é uma obra verossímil, não parece que ela realmente revela o nosso futuro, mas é muito interessante para refletir diversas das nossas atitudes, se são realmente positivas ou não.

Esse livro, ao contrário das distopias atuais, não tem foco principal no enredo. Ele é bastante descritivo e se preocupa em esmiuçar as técnicas e o funcionamento dessa nova sociedade. Em alguns pedaços ele chega a parecer um livro teórico, não uma ficção. Percebemos claramente que o foco principal não é o enredo, mas repensar a sociedade e os rumos que estamos dando a ela. Do meu ponto de vista não tem nenhum personagem que eu realmente goste, me identifique e torça, e isso me faz falta. O que eu mais gosto nos livros são os personagens e suas histórias, senti falta disso no livro. Ainda assim, se você se interessa pelo tema, recomendo bastante a leitura.

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Quais livros vocês estão lendo e me recomendam? Já leram esse?

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Beijos

O que achei do Kobo

Oi gente,

Quem acompanha os posts sobre livros já está cansado de ver fotos do meu e-reader. Pois é, comprei (na verdade ganhei) o Kobo em 2013.

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Existem vários e-readers no mercado. No Brasil, que eu saiba, são três os principais, o Kindle da Amazon, o Lev da Saraiva e o Kobo da Livraria Cultura. Vou falar do Kobo e da minha experiência com ele nesses dois anos.

Ele é um e-reader, ou seja, um leitor de e-books, feito para ler livros. Sei que muitas pessoas usam o tablet para ler livros, mas são aparelhos muito diferentes. Pra começar o kobo é totalmente preto e branco e sua tela não é luminosa, não é de lcd ou led, mas de e-ink. Essa tinta eletrônica (e-ink) se organiza na tela e forma as páginas, então outra grande diferença é a iluminação. O Ipad é luminoso, a tela emite luz, o Kobo não. Inclusive, por não emitir luz direto no nosso olho ele cansa bem menos a vista. A desvantagem é que precisaremos de uma luz externa, uma lâmpada, lanterna ou luz do Sol. O vidro do e-reader é fosco e anti reflexo, evitando atrapalhar a leitura.

Cada marca de e-reader tem diversos modelos, o meu é o Kobo Touch, ele, como o nome diz, é touch, tem apenas um botão físico para voltar à tela inicial. Versões mais recentes podem ter mais velocidade, Internet melhor e luz para auxiliar a leitura. Mesmo as versões com luz são muito diferentes dos Ipads, a luz vem da lateral da tela e, de fora, iluminam o texto, não é uma luz que vem de trás da tela em direção ao seu olho.

Página inicial com os livros lidos mais recentes

Página inicial com os livros lidos mais recentes

Realmente, no Kobo Touch a Internet não é muito boa, nem a velocidade do touch, não se compara a um smartphone, por exemplo. Inclusive, ao usar a Internet para navegar no Facebook, já consegui travar o Kobo. Não recomendo que ele seja intensamente utilizado para esses fins. Mas vamos lembrar que ele é um aparelho de leitura, não foi feito para ser um tablet.

Quanto a qualidade do touch, não é excelente e é bastante lenta, mas só uso o touch para trocar de página e fazer pequenas anotações, não preciso de mais sensibilidade ou qualidade. Isso é bem legal do e-reader, enquanto leio posso fazer algumas interações com o texto. Posso sublinhar trechos que achei importantes, marcar páginas, fazer anotações ou procurar palavras que não conheço no dicionário interno que é grátis e já vem pré-instalado (só é preciso escolher as línguas que você deseja e baixar). É possível também mudar a formatação do texto, trocar a fonte, aumentar ou diminuir o tamanho da letra e das margens, modificar o contraste e outras pequenas mudanças que tornam a leitura mais confortável.

Lista da minha biblioteca. Dá pra organizar em estantes também e agrupar os livros por assunto, nacionalidade, tipo, etc.

Lista da minha biblioteca. Dá pra organizar em estantes também e agrupar os livros por assunto, nacionalidade, tipo, etc.

Como eu disse, existem diversos e-readers no mercado (principalmente internacional) e a maioria deles usa o formato de texto Epub. É o formato de e-book mais usado, na verdade conheço apenas o Kindle que usa formato diferente. Por esse ser o formato mais usado, é também o mais fácil de encontrar, mas como o Kindle não usa, não é possível adquirir livros na Amazon. O Kobo tem aproximadamente 3GB de capacidade e cada e-book varia muito, alguns tem 100KB, outros 600kb. Tenho alguns arquivos de obras completas (como obras completas do Freud, de José de Alencar, Machado de Assis) que podem chegar a 5MB. Cabem muitos livros no Kobo, você não vai sentir falta de espaço. A bateria dele dura bastante também, como ele só gasta bateria para mudar de tela, mesmo você lendo todos os dias pode ficar umas duas semanas sem carregar.

Embora o formato preferencial de leitura seja o Epub, o Kobo lê PDF também. O problema do PDF é: ele acaba sendo interpretado como imagem. Então não é possível mudar a formatação do texto ou sublinhar pedaços. Então, em geral, as letras ficam muito pequenas e é bastante difícil de ler. Existem programas que passam de PDF para Epub, mas muitas vezes o arquivo perde a formatação. Dá pra aumentar letras, marcar o texto, etc, mas muitas vezes cada linha fica constando como um parágrafo, como se copiássemos um PDF para o word.

trecho marcado.

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Eu não sou uma grande leitora de quadrinhos, mas também não recomendo o Kobo se você quiser ler HQ. Por ser preto e branco já perde bastante para os quadrinhos coloridos, além disso, mesmo em Epub eles são interpretados como imagem, então não é possível fazer nenhuma modificação nem marcação no texto. Mais uma vez, as letras ficam muito pequenas, dificultando bastante a leitura.

Amo demais o Kobo e acho muito prático, principalmente para viagens, ao invés de levar vários livros pesados, levo apenas o e-reader. Recomendo demais se você é uma pessoa que gosta de ler e gosta sempre de carregar um livro contigo. Se você está em busca de algo para ler, mas que também te possibilite usar a Internet, melhor comprar um tablet mesmo.

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Espero que tenham gostado, penso em fazer, futuramente, um post comparando o Kobo e o Kindle. Não esqueçam de me seguir no Istagram (@juliakubrusly) e curtir a página do blog no Facebook.

Beijos

Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu

Oi gente,

Hoje quero falar de um livro, o livro começado com ‘m’ do mês de Março, Morangos Mofados do Caio Fernando Abreu. O Caio foi um escritor que começou a ficar muito famoso de uns anos pra cá, principalmente com citações na Internet, citações que nem sempre são dele de verdade. Eu já tinha lido contos isolados dele, mas essa foi a primeira vez que li um livro inteiro.

Morangos-Mofados

Morangos Mofados (133 páginas) é um livro de contos, então não tem uma história que atravessa todo o volume. Mas existe um tema comum que atravessa os contos, todos tratam de seres humanos, mais especificamente do interior das pessoas. O monólogo e os diálogos reflexivos são muito comuns. As relações humanas, seja com outro ou consigo mesmo, atravessam todo o Morangos Mofados.

Caio é um escritor que tem muito de Clarice Lispector, ele mesmo afirma sua admiração pela escritora diversas vezes. O objeto de estudo (seres humanos) é o mesmo e a abordagem dele lembra bastante a dela. Os pensamentos e reflexões são muito valorizados no texto que, muitas vezes, se apresenta como fluxo de ideias, com frases que se interrompem e poucos sinais de pontuação.

morangos mofados

Não posso dizer que seja um livro fácil, ele exige um leitor um pouco mais experiente e mais disposto a tentar realmente compreender o texto, não é um texto óbvio. Para aqueles que são fãs de Clarice, acho que a leitura de Morangos Mofados será mais simples e bastante prazerosa.

Reconheço a importância literária de Clarice, mas não posso dizer que está entre minhas escritoras preferidas. E algo semelhante aconteceu com Caio. Gostei do livro, mas achei as temáticas repetitivas e o texto mais truncado não é meu preferido. Alguns contos eu gostei bastante, mas não posso dizer que foi um livro que gostei de fato na totalidade.

Não posso deixar de destacar o fator político explícito de seu livro. Claro que ele não fala de eleições ou partidos, mas a temática gay está presente na maioria dos seus contos. Se é um tema ainda bastante polêmico hoje, imagina nos anos 80 (o livro foi lançado em 1982). Quero destacar também que é um livro forte, com cenas fortes, tanto de sexo, quanto de violência.

Recomendo a leitura sim, para aqueles que gostam do estilo ou para quem quer conhecer Caio Fernando Abreu. Vocês já leram algum livro dele? O que acharam?

Beijos