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Refletindo – “erros” de Português

Oi gente,

Eu já falei por aqui que fiz Letras, e quando eu falo isso é bem comum as pessoas falarem coisas como “agora vou prestar atenção nas palavras que vou usar”.

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Parece que ser formado em Letras nos torna uma gramática ou dicionário ambulantes e vamos sair corrigindo todo mundo, mas, pelo menos a formação que eu tive, foi muito diferente disso. Na faculdade aprendemos, por exemplo, que a língua é viva e muda com o tempo. Não só do latim para o Português, mas também dentro do próprio Português. Novas palavras vão sendo criadas o tempo todo a cada novidade que surge e as gírias são substituídas ao longo do tempo.

Aprendemos também que não existe erro em língua para o falante nativo, o que existe são variantes, variedade do Português. Claro que uma criança, que ainda está aprendendo pode cometer erros, ou um estrangeiro também, mas um falante de Português mesmo, fala Português sim, mesmo que fale coisas diferentes do que a gramática diz. Os donos da língua (se é que isso existe) somos nós, falantes, não os gramáticos. A língua não foi criada a toa, ela tem um propósito, que é o de comunicar. E ela deve cumprir esse papel, uma pessoa fala e a outra entende.

O problema é que ela é usada também com instrumento de poder, por isso que existe uma língua considerada certa, a que a gente aprende na escola, já excluindo quem não tem acesso a ela, e outras consideradas erradas. Nas universidades muitas aulas são dadas com uma linguagem que não é todo mundo que entende, muitos médicos também usam nomes técnicos, o que afasta os pacientes, as leis, que deveriam ser para todos, são incompreensíveis para a maioria da população. E desse jeito a gente vai excluindo quem não sabe a tal “língua certa”

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Quem definiu que “os meninos” é mais certo do que “os menino”? Se a gente ouve qualquer um deles a gente entende muito bem e sabe que querem dizer a mesma coisa, os dois cumprem o papel de comunicar com a mesma eficiência, por que um é considerado certo e o outro errado? Ao mesmo tempo que você pode dizer que o certo é o que concorda, então temos que pôr tudo no plural, podemos argumentar que não precisa, fica redundante, se eu digo “os”, já se entende que é plural, então posso usar “menino”. Se tem muita gente falando assim, por que não pode ser também certo, quem define qual o certo?

E esse preconceito leva a muitas outras coisas, é bem comum vermos pessoas desmerecendo o discurso e a argumentação de outras pessoas por causa de “erros de Português”. A frase “primeiro aprende Português, depois vem falar comigo” é horrível, é cruel. Todo falante nativo sabe Português e ele não usar a norma culta não inviabiliza a argumentação e os motivos dele. Se você não tem resposta ou apenas não quer discutir, diga isso, invente outra desculpa, mas não seja preconceituoso, não inferiorize as pessoas pela língua (ou, por motivo nenhum). Vamos respeitas as diversas variedades existentes.

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Beijos

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